domingo, 30 de dezembro de 2007

Apenas mais um dia


A lua estava cheia e o céu carregado de estrelas. O calor insuportável. Acordei por volta das dez, cheguei as oito do serviço. Entro as duas. O horário é bom. O ruim é ter que trabalhar para os outros. Queria ter um pedaço de terra com gados e alguns porcos para o almoço. Sei que nunca conseguiria isso. Decidi caminhar até a praia. Parei no primeiro boteco aberto, entrei e pedi uma cerveja. Na fila do banheiro duas gostosas arrumavam o cabelo e passavam batom. Fui até o banheiro e depois sai. Continuei andando beira mar. Ascendi um Belmonte. Comecei pensar em Julia, tínhamos brigado feio alguns dias atrás. Parecia ser o fim de tudo. Encontrei um pessoal na praia, eram pescadores bebendo e comendo peixe. Olhei para o lado, tinha um barco parado cheio de camarão e lula. Falei com eles e ficamos bebendo cachaça, cerveja e comendo peixe. Disseram-me que a pesca tinha sido farta, uma dádiva de Deus todo poderoso e Iemanjá a rainha dos mares. Tinha um pescador que seu nome era Ivan, estava com um violão guardado numa capa preta. Disse que tinha ganhando há pouco tempo e tocava apenas duas canções. Pedi para tocar uma música e de cara mandei uma dos Beatles em seguida uma do Raul Seixas. Eles gostaram muito. Sai de lá bêbado uma hora da manhã. Fui andando. Consegui chegar em casa. Fui direto pro banheiro. Entrei no chuveiro frio, passou a bebedeira. Comecei a massagear meu pau, ficou ereto. Bati uma punheta pra mulher que trabalha no mercado da esquina. Imaginei eu comendo aquele rabo enorme de quatro, puxando seu cabelo até o chão. Gozei bem rápido, fiquei bom na hora. Liguei o rádio e dormi feito pedra. Acordei com cede, tomei um litro de água. Lavei o rosto, escovei os dentes e preparei o café. O sol estava quente como fogo. Acordei fiz a barba. Coloquei minha roupa. Arrumei o cabelo e fui para o ponto. Estava atrasado. Ao meu lado esquerdo tinha uma mulher linda de cabelo curto com um longo vestido azul claro que mostrava bem o volume da sua bunda. Magra, loira, alta, olhos azuis e ainda por cima bunduda. O que mais um homem poderia querer nessa vida? Por sorte entramos no mesmo ônibus, que foi lotando aos poucos. Não conseguia parar de olhar para suas coxas. Cheguei ao seu lado, perguntei seu nome, e se tinha estudado em alguma escola próxima ao bairro. Ela se chamava Jéssica. Continuamos a conversa, mas não me deu muita bola. Nunca mais a vi e não me importei. Cheguei vinte e cinco minutos atrasados, que seriam descontados do meu pequeno salário estipulado mínimo pelo governo. Trabalhei duro e fui para casa descansar. Tomei uma ducha fria, peguei duas cervejas na geladeira, aproveitei para esquentar um pedaço de carne. Estava exausto e não conseguia pregar os olhos. Levantei, busquei o toca fitas, coloquei uma música do Jimi Hendrix. Capotei. No fundo sabia que amanhã e depois e depois seria apenas mais um dia.

Alex Medeiros

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Que o tempo passe devagar

Acordei com vontade de sair correndo pela chuva, queria andar de bicicleta e jogar bola sem camiseta. Costumava fazer isso na infância. Hoje o que restou? Apenas boas lembranças. Olho meu rosto no espelho, vejo que estou envelhecendo, vejo rugas por todos os lados, minha barba pula para fora do rosto indicando um grito de liberdade, meus cabelos brancos crescem e meus ossos doem no frio. Quando somos jovens queremos acelerar o processo natural das coisas, somos impacientes, queremos crescer o mais rápido possível, somos egoístas, sempre em busca do prazer imediato. Mas quando você sente estar perto do fim, o que mais deseja é voltar ao tempo, ouvir aquelas canções que tocavam nas vitrolas, beijar as garotas mais belas da cidade ou apenas ficar na cama lendo histórias de terror. Quando você envelhece o que você mais deseja, é que o tempo pare. Quando se está morrendo, passa um filme pela sua cabeça e no final você se convence que valeu estar presente a cada segundo vivido.

ALEX MEDEIROS

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A estrada da vida.

Lembro como se fosse hoje. Éramos quatro amigos, todos com dezesseis, insanos, descobrindo a vida e pronto para tudo. Morávamos, estudávamos na mesma escola e jogávamos futebol nas ruas do bairro. Depois de alguns meses, descobri que um de nossos amigos estava doente. Passou um tempo, ele veio a falecer. Lembro que nesse dia, compramos garrafas de cerveja e jogamos no seu túmulo, lembrando das nossas bebedeiras e filosofias de bar. Morreu virgem e ficamos chocados com a notícia, não queríamos que isso acontecesse com ninguém. Fui para a casa dormir no meu quarto. Passava noites em claro lendo livros de terror, imaginando como seria minha primeira vez, estava muito ansioso. O sol já estava lá fora sorrindo, quando minha mãe me acordou dizendo que tinham uns garotos esperando na sala. Levantei, meti a cueca e pedi para eles entrarem. Ficamos pensando sobre o fato, decidimos tomar uma atitude, já que as garotas do colégio não queriam transar com caras inexperientes. Eu tinha alguns anúncios de prostíbulos que menores de idade podia entrar. Sei porque um primo meu havia me contado, tinha a mesma idade que nós. O problema é que o lugar era longe da cidade, precisaríamos de um transporte. Mostrei os anúncios, todos concordaram em ir. Um deles teve a idéia de pegar umas motos que ficavam na oficina do tio Zezinho, era apenas por algumas horas. Planejamos tudo, falamos aos nossos pais que íamos acampar e pela noite, voltaríamos pra casa. Meu coroa me deu dinheiro e nos despedimos. Pegamos as motos sem ninguém perceber, uma para cada, então partimos. Era um dia comum, a rodovia estava vazia e tranqüila. Paramos numa praça para tomarmos algumas cervejas. Observamos algumas caipiras, pensamos ficar por ali mesmo, mas seguimos viagem. Chegamos na cidade das putas, elas ficavam na porta seminuas com suas calcinhas vermelhas ou brancas, eram anjos que caíram do céu. Fomos até uma casa que chamava o Templo do Amor. Entramos e três gostosas vieram nos atender. Fiquei um pouco nervoso. Tinha cinqüenta reais no bolso. A mulher disse que eram apenas trinta reais. Ainda sobrava-me vinte para as cervejas e para um cachorro quente lá fora. Então sentamos todos na mesma mesa. A música do Raul Seixas fritava na vitrola velha. Pedimos seis canecos de chope. Uma puta toda de branco disse que só tinha apenas um quarto, e que íamos todos de uma vez, ou cada um esperava a sua. Então eu fui o primeiro. A puta era gostosa. Entramos no quarto era grande a luz do teto vermelha fiquei ofuscado e com muita vontade de enrabar aquela mulher. Fui ao banheiro lavar o rosto estava muito quente no local. Sai ela estava com uma calcinha bem pequena. Fiquei de pau duro na hora. Botei nela de quatro e mandei ver. Passou vinte minutos, já tinha ido duas vezes. Estava morto, suando feito porco. Sai, fui até a mesa. Sentia-me a mistura do Incrível Hulk com o Super Man, imaculado por sentir-me bem de verdade. Ascendi um cigarro deitei na poltrona, pedi uma boa cerveja holandesa. Meu amigo de óculos foi pro quarto com uma japonesa alta e magra. Ficamos eu, a puta e o gordo. Ele estava pálido, esquisitão. Foi ao banheiro, quando voltou disse que tinha tomado um êxtase e tinha misturado muita bebida. Ficou um silêncio, quando o gordo do nada solta a maior gorfada que já vi na vida. Não parava de vomitar, lavando o chão do estabelecimento. A puta ficou toda suja eu não conseguia parar de rir. Os jagunços não acreditavam na cena começaram olhar feio, o cara ficou puto e disse que éramos irresponsáveis. Paguei a puta pedi desculpas Eles ficaram olhando para nossas motos, graças a Deus conseguimos sair às pressas. Passou algum tempo e o garoto de óculos, esqueceu sua carteira com todos os documentos, cartão de crédito e dinheiro. Não podíamos voltar si não sairia uma enorme confusão. Fomos até o banco mais próximo, sacamos cinqüenta reais cada para colocarmos trinta de gasolina e vinte para comermos e enchermos a cara. Caminhamos até um bar de esquina, cheio de caipiras com suas calças justas, blusa branca e cabelo preso. Ficamos perto do balcão e pedimos três cervejas. Na segunda começamos a rir, falando sobre o incidente ocorrido. Pegamos a rodovia sentido centro, voltamos para casa com uma história boa pra contar.
Por: Alex Medeiros

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Uma noite um tanto quanto confusa.

Uma noite um tanto quanto confusa.
Por: Alex Medeiros


Finalmente tinha chegado sexta-feira. A semana foi cheia, trabalhei feito um cão. Sai do serviço as seis. Parei no primeiro boteco que encontrei na esquina. Fiquei perto do balcão e pedi uma cerveja. Ao meu lado um velho mendigo sem dente, fedendo pra burro me pediu uns trocados para tomar uma pinga. Não dei o dinheiro, pedi para o capitão descer uma branquinha para o sujeito. Estava pagando quando o velho foi embora me agradecendo. Ele estava certo em tomar uma, porque encarar a vida naquelas condições não dava, alias já é difícil o ser humano agüentar viver de cara limpa. Pedi outra cerveja, essa estava gelada e trincando os dentes. Numa mesa ao lado perto do balcão apareceram duas morenas e uma loira, bonitas e jovens, a loira tinha um rabo lindo, que cabia direitinho na sua calça branca, dava até para ver a calcinha preta marcando sua pele macia. Ascendi um cigarro, pedi outra cerveja e fiquei parado observando aquelas garotas. Do outro lado havia uma mesa de sinuca, dois rapazes e duas moças gostosas jogando, pena que estavam acompanhadas. Liguei em casa para avisar minha mãe que eu ia chegar tarde. Paguei as cervejas, comprei um chiclete e fui até a parada do ônibus. Peguei o primeiro, sentido centro. Passei na casa do Rafa para fumar um, depois fomos tomar cerveja na padaria do seu Manoel. O Rafa foi para casa, tinha que acordar ás seis em pleno sábado. Subemprego é uma merda e eu sei muito bem o que é isso. Peguei o metrô sentido Avenida Paulista. Desci na estação Consolação e caminhei até a Rua Augusta. Milhares de mulheres lindas espalhadas nas esquinas esperando ganhar seu pão de cada dia. Tinha um boteco tosco e velho do outro lado da rua, era legal ir lá. Assistíamos aos jogos de futebol no domingo chuvoso. Fui até lá e pedi uma cerveja, enquanto as prostitutas lindas, rebolavam seus rabos apertados em seus vestidos justos. Encontrei um rapaz que morava perto de casa, ficamos conversando, ele pediu outra cerveja, ficamos falando da nossa ridícula seleção e sobre política. Depois que o sujeito foi embora pedi um conhaque e decidi entrar numa balada só para não dormir nos bares e acabar sempre ouvindo as fantásticas histórias dos velhos bêbados boêmios. Cheguei na casa à fila era gigantesca para entrar. Umas garotinhas estavam esperando para entrar na casa, tinha uma que era bonita, branca, cabelo vermelho, olhos azuis, magra e alta, combinação perfeita. Pedi o isqueiro a ela que me deu na hora, seu perfume cheirava bem. Entrei fui logo para pista ouvir um som, já estava cheio o negócio, várias garotas querendo farra. A noite vai ser longa pensei. Fui ao banheiro, já separando as notas que eu ia usar para pegar uns dois bilú. No caminho encontrei o diller, peguei e fui direto para o banheiro sem dar bola para as garotas encostadas na parede, esperando serem devoradas. A Letícia era pura, branca como a neve, a raspa do chifre do capeta, nada de mistura. Meu coração começou a disparar e meus dentes a rangerem feito uma casa de madeira velha. Parei no balcão pedi uma cerveja vi a garota na fila ao meu lado pedindo um san remmy. Perguntei seu nome e se ela costumava sair na noite. Disse que sim, achei a meio depressiva, ficou um pouco, continuamos a conversar, quando ela me disse que estava esperando sua namorada. Fiquei pasmo, como um anjo daquele poderia gostar de dividir o sabonete com outras garotas? Foi embora sem deixar seu telefone. Entrei no banheiro, aproveitei que a fila estava bem curta e estiquei uma enorme carreira, meu nariz parecia que estava coberto de neve. Sai pego e fui para a pista dançar. Ao meu redor milhares de garotinhas prontas para tudo. O inferno na terra é um monte de jovens lindas e tentadoras, querendo sangue as três da manhã. Fui ao bar e pedi uma coca cola, tomei um ar na sacada, quando vejo uns camaradas sentados no sofá loucos de erva. Decidimos ir para o babilônia. Chegando lá pedimos duas cervejas, do outro lado vários traficantes. Pegamos dois papeis e fomos ao banheiro um de cada vez. Ficamos falando sobre a vida e filmes. No mesmo tempo passavam várias putas de fio dental, maravilhosas em pleno luar. Estávamos chapados. Tinha caído o vale justo naquele dia. Fomos a um puteiro. Eu estava bem loco indo ao banheiro toda hora. Tínhamos apenas dez reais cada um só para a entrada e mais duas cervejas. Começamos a sarrar as putas, passar a mão em tudo quanto é lugar. O segurança da porta começou a olhar feio para nós. E a gente curtindo numa boa. Quando olhei para o lado dois seguranças vieram até nós. Pediu para irmos embora. Expliquei para ele que tinhamos pagado a entrada e ainda tinha duas cervejas e quando terminássemos, partiríamos. Ele disse que não, tínhamos que ir embora. Ai eu indaguei a ele se era porque estávamos nos divertindo? Ele ficou furioso disse que tínhamos que sair e ponto final. Olhei para o lado, vários caras passando a mão nas putas, então falei pra ele que todo mundo tava passando a mão e porque a gente não podia passar? O bicho ficou furioso, veio para cima, com uma garrafa, por Deus conseguimos sair correndo pelos fundos sobre uma chuva de garrafas, uma delas pegou no meu ombro e fez um corte profundo. Tive que ir ao pronto socorro tomar cinco pontos. Depois de tudo isso, peguei o ônibus de volta para casa as nove da manhã. Aprendi uma lição aquele dia, fiquei umas duas semanas sem sair de casa, não agüentava mais assistir filmes bobocas, então chegou outra sexta-feira...

domingo, 28 de outubro de 2007

Perguntas geram respostas que geram perguntas que...

Não somos capitalistas, porque não somos donos das terras, das máquinas ou das empresas que mandam na política de mercado. Não nascemos burgueses nem filhos dos donos das grandes corporações. Temos que vender nossa força de trabalho por um punhado de moedas para sobrevivermos no mundo globalizado imposto pelo estado neoliberal.
Quanto tempo à raça humana agüentara viver no caos do abismo profundo que será a terra daqui a uns trinta anos? .

O Anarquista

O anarquista que há em mim se junta com o ingênuo que há em você e propõe: "vamos fazer uma república utópica?". O princípio da realidade passa com a sirene aberta, pára e nos autua em flagrante.

sábado, 15 de setembro de 2007

Poemas, Poesias e Provocações

Tudo mudou. Homens, coisas e animais mudaram de lã ou de pele. As palavras já não são as mesmas do tempo em que estudávamos gramática com os olhos míopes das professoras. Nádegas e pernas das mestras – objeto direto do nosso desejo – ofuscavam o interesse pela didática. Olho o mundo de todos os ângulos possíveis e tudo me parece oblíquo. É a civilização globalizada, a cultura de massa, a sagração do factóide, a fragmentação dos idiomas. Corta-se a palavra em frações microscópicas. A vida, o amor, a morte, a realidade: tudo agora virou fast food.

Autor: Fernando de Carvalho

Tempo que não volta

Que tempo era aquele que corríamos na chuva com sorvete de creme debaixo dos braços, você se lembra meu bem?
Que tempo era aquele que íamos jogar bola na escola e depois íamos até o clube varar a piscina e ver as garotas de biquíni. Que tempo era aquele, quando íamos ao playcenter e passávamos horas na fila contando história e paquerando, voltávamos com vários sonhos para a casa. Que tempo era aquele, quando caminhávamos lentamente pelo parque nas tardes quentes de verão. Você se lembra Mamãe quando riamos e chorávamos juntos?
O que restou agora?


Alex Medeiros

Texto Brilante A fila escrito por Carol Damasco

Proponho a todos o seguinte: Mudança na FILA! Isso mesmo! Uma mudança radical, a começar pelo conceito. Engana-se o nosso respeitoso Dicionário Aurélio quando afirma: “fila = fileira de pessoas que se colocam umas atrás das outras pela ordem cronológica de chegada...”. Justifico-me desta forma: primeiro, não há uma fila onde as pessoas se coloquem nessa disposição, sempre existirá um “alguém” que achará um “outrem” que permitirá que aquele fique em seu lugar, ou melhor, não exatamente em seu lugar, mas ao lado, esquecendo das outras tantas que o sucedem na “fila”, resultando naquele aglomerado paralelo. E afirmo que, seja qual for o tamanho da fila, os furões hão de tirar proveito daquele vizinho, do porteiro, da comadre, do amigo, do guardador de carro e até mesmo da pessoa que se prestou a fornecer algumas informações. Quando você menos espera, pronto, lá estão eles, sendo atendidos.Segundo, a “ordem de chegada” deveria se chamar “ordem de encaixe” ou “ordem telefônica” ou “ordem do poder”, “ordem de influência” ou até mesmo a famosa “ordem do senhor chegado”, aquela famosa pessoa que implora por exceção, o jeitinho cara-de-pau de se dar bem.E, por último, a mudança do nome “fila” para “aglomeração quem se importa?”. Outro dia, na hora do almoço, presenciei algumas cenas interessantes ao entrar na “fila” de um bazar realizado pela Receita Federal, a começar pelo cartaz que dizia: “a melhor forma de atendimento é a fila”. Sendo assim, resolvi ficar naquela “fila” e, pasmem, durante uma hora fiquei exatamente no mesmo lugar, enquanto senhores bem apessoados, com seus celulares top de linha e seus assessores, destruíam o conceito de ordem de chegada e o mais importante, o respeito a outras pessoas que, independentemente da classe social, se propunham a seguir as regras de uma boa “fila”. E, por mais uma vez, fui impedida de desfrutar do meu direito de usuário de uma “fila”, o de ser atendida.O que esperar de um país onde a mais simples manifestação de democracia é bruscamente rompida por pessoas que acreditam deter o poder do “eu posso mais que você”? Onde vamos para com tamanho desrespeito aos direitos mínimos? E quem determina que um seja melhor que o outro? Há quem se justifique com tom de autoridade: “não tenho tempo para ficar em filas...”, outros afirmam: “sou uma pessoa muito ocupada”. E reflito, acabo de passar de usuário de “fila” para uma “à-toa no mundo”, pelo simples fato de agir com respeito a regras.A falta de bom senso e educação está por todos os lados: nos aeroportos, no trânsito, nos hospitais, nos bancos, nos supermercados, nas padarias, nos shows, nos postos de gasolina, nas lojas, nos shoppings e até no acesso a elevadores, azedando assim o dia daqueles que respeitam e seguem as regras. Aproveito para levantar a bandeira da igualdade social e da transparência nacional, exijo que sejam respeitadas as filas das vagas para as escolas públicas, a fila dos transplantes, a fila dos concursos públicos, a fila dos aprovados no vestibular, a fila das oportunidades de emprego, essas e outras tantas que, vergonhosamente, são manipuladas e compradas por furões patifes. Sustentarei a minha bandeira nos princípios fundamentais de nossa Constituição e nos pilares da democracia, ou seja, na dignidade da pessoa humana, na igualdade e nos direitos humanos.Furar fila é antiético e imoral. É faltar com respeito ao próximo, é atrapalhar o funcionamento ordenado das coisas. Sem as filas nos resta a desordem. Taí um bom nome para substituirmos a “FILA”, “DESORDEM”.

Carol Damasco é publicitária, pós-graduada em marketing.

v

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

O ser Humano

O ser Humano é um saco de merda recheado até o talo. Não passamos de vermes insignificantes, somos parasitas, corroendo a terra como um câncer devorando um corpo que apodrece. Nunca estamos satisfeitos com nada e o infinito é o nosso alcance, já esta provado que o poder corrompe. Somos ratos cinza sobrevivendo no caos e na miséria alheia, somos os telespectadores do mal impotentes na mão de Deus. Não somos ninguém, não somos nada.

terça-feira, 11 de setembro de 2007

A nossa Imprensa Vergonhosa

A Nossa Imprensa Vergonhosa.
Por: Alex Medeiros

A imprensa brasileira é comandada por algumas famílias que estão no poder desde 1990 são elas: Abravanel (SBT), Bloch (Manchete), Civita (Abril), Frias (Folha de São Paulo), Levy (Gazeta Mercantil), Mesquita (O Estado de São Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil), Saad (Bandeirantes) e Sirotsky (Rede Brasil). Por serem empresas elas obedecem à lógica do mercado, visando em primeiro plano o lucro.
A notícia perdeu o valor da informação para simplesmente virar um produto descontextualizado, manipulado e tendencioso. Essas empresas não estão interessadas em saber quais os problemas da sociedade, não quer saber se o povo passa fome e não tem moradia para viver, não quer saber das filas nos hospitais por falta de atendimento, o caos do transporte, elas não querem discutir uma política mais digna para a construção de um país democrático, porque se fizessem, perderiam a sua soberania e os lucros iriam despencar. É mais interessante para as empresas uma sociedade desesperada, esperando por um messias, chacinas, acidentes e suicídio acontecem todos os dias e são capas de jornais e revistas dando lucro as corporações. Enquanto esse nicho do mal manipular o povo com revistas e jornais mentirosos, futebol de quarta e novela à noite, deixando de lado assuntos de interesse público, não conseguiremos tentar no mínimo refletir sobre esses fatos será tarde demais seremos escravos até o fim de nossas vidas.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

O cenário do rock independente no centro da cidade de São Paulo

Casas de Shows, Ruas e Bairros que fazem parte do Cenário.

1.1 Rua Augusta

A rua Augusta no sentido bairro da capital de São Paulo sempre contribuiu para a cultura paulistana, mas no final dos anos 90 a rua encontrava-se em pleno declínio, esquecida pelos paulistanos e lembrada apenas pelas casas de prostituições e jogos de azar. De alguns anos para cá a rua passou por algumas reformas e foi revitalizada. O local transformou-se em vitrine cultural da cidade de São Paulo com o Espaço Unibanco que divulga filmes de vários países dentro da Mostra Internacional de Cinema, os restaurantes que servem comida típica de diversas regiões, bares, sebos e vendedores ambulantes de livros. No ano de 2003 a Rua começa a formar o cenário do rock alternativo na capital, com o Outs Club que é uma das casas pioneiras a colaborar para a construção do cenário. O lugar é idealizado por freqüentadores do circuito musical o público e as bandas que têm como propósito divulgar manifestações artísticas, os shows das bandas de rock independente. Essas bandas são consideradas independente porque os músicos produzem, compõem e na maioria das vezes distribuem as músicas pela Internet. O Outs oferece um belo palco, boa aparelhagem, além de abrir espaço para festivais das bandas. Com a revitalização da avenida, comércios passaram adotar a rua. Restaurantes que hoje são referência para os paulistanos, O Pedaço da Pizza
[1] e a loja Discomania[2]. O Outs começou a beneficiar-se com os acontecimentos ao seu redor, tornando-se reduto das inúmeras bandas alternativas. O Guitarrista Chuck da banda Forgotten Boys[3], na entrevista para a revista da MTV[4] diz ser fã confesso da casa: “Adoro o Outs, tocamos lá desde sempre e acompanhamos a evolução da casa, uma das mais importantes de São Paulo. Não me admira o fato de a Augusta ser praticamente o berço do novo rock independente brasileiro. Aquela zona tem tudo a ver com o rock”, complementou. Foi a partir da inauguração de outras casas de shows que o clima começou a esquentar na rua. A casa mais nova que apareceu no local foi o Inferno Club que iniciou suas atividades em 2006. O lugar oferece um grande espaço com capacidade para 400 pessoas, tem um palco para apresentações das bandas, pista de dança e área vip. Antes do Inferno, outra casa que já fazia sucesso na Augusta era o Vegas Club, inspirada nos cassinos da década de 50. O arquiteto Marcos Paulo Caldeira e o cenógrafo Frank Dezeuxis buscaram referências na Las Vegas daquela época. O resultado foi muito néon, mobiliário antigo, cortinas de veludo e lustres de cristal. A vantagem do Vegas é que os freqüentadores trocam dinheiros por fichas iguais as de cassino, assim não é preciso pegar fila na hora de ir embora, da para levar as fichas que sobram para casa e gastá-las outro dia. A casa é dividida em cinco espaços diferentes, espalhados por dois andares: o bar, palco, a pista, a tabacaria e o jardim. A programação da casa é bem eclética, shows de jazz, rock e música eletrônica alegram o ambiente.

1.2 Rua Bela Cintra

A rua bela Cintra no sentido bairro da Capital é um marco para a cidade por abrigar diversos tipos de comércio, sebos, restaurantes e, principalmente, o Colégio São Luiz um dos mais respeitados da cidade. O colégio foi o segundo criado pelos Jesuítas no país. Na recém inaugurada Avenida Paulista, em 1891, encontraram um espaço adequado e, em 1918, começava a primeira turma de alunos. As primeiras indústrias eram instaladas em São Paulo, que vivia o auge da produção de café, e a charmosa avenida acomodava a elite paulistana, onde viviam os grandes fazendeiros de café, negociantes e imigrantes, como árabes e italianos. Em 1936, foi inaugurada, na esquina da Rua Bela Cintra, a Igreja São Luís de Gonzaga, ao lado da fachada de estilo neoclássico do Colégio.
A Funhouse uma das casas mais importante do cenário do rock independente em São Paulo encontra-se na Rua Bela Cintra paralela a Rua Augusta no sentido bairro, é um sobradinho de 1941 que foi usado como residência, escolinha infantil e até virar a casa em 23 de Agosto de 2002. A casa funciona como um laboratório musical, importantes bandas do rock independente.
O local tem dois andares, no térreo logo na entrada um bar, pra frente à pista com o palco para as apresentações, no segundo andar outro bar, sofás com mesinhas de centro. A casa funciona de terça a sábado a partir das 23h e tem capacidade para acomodar 200 pessoas.

1.3 Barra Funda

No bairro da barra funda, existem três casas em pontos distintos que fazem parte do cenário alternativo na capital. São elas: D-Edge, Berlim e Clash Club. O D E-dge existe aproximadamente há cinco anos. Toda segunda-feira a casa abre espaço para o Projeto On The Rock. João Gordo apresentador da MTV e vocalista da banda punk Ratos de Porão é DJ da casa e todas as noites de segunda agita o público, trazendo novidades e raridades do mundo do rock e do punk. Uma vez por mês a casa abre espaço para shows das bandas do rock alternativo. A casa abriga 400 pessoas e funciona de segunda a sábado a partir da 0h, localizado na Avenida Alameda Olga, 170 Barra Funda.
O Berlim é uma casa alternativa que todo o sábado abre espaço para o rock dos anos 60 e apresentação de bandas de rock e jovens talentos da música Jazz. A casa instalou-se no ano de 2006, na Rua Cônego Vicente Miguel Marino 85, Barra funda, funciona de terça a sexta das 23h as 3h30 e de Sábado a partir das 23h. O local tem capacidade para 350 pessoas.
O Clash Club tem um espaço de 900 metros quadrados que comporta pista, mezanino e um jardim ao ar livre totalmente, além de ter uma infra-estrutura completa para pessoas com necessidades especiais, contém três bares, quatro camarotes com vista privilegiada para pista e serviço exclusivo de Garçom, e estrutura de segurança. A casa além de abrir espaço para as bandas de rock alternativo, agenda shows para as bandas já consagradas como os norte americanos do Mudhoney, que faz um estilo musical bem conhecido do público alternativo e da Imprensa. O local tem espaço para 1000 pessoas e fica na Rua Barra Funda, 969 no Bairro da Barra Funda.
As casas fazem uma forma de interação com o público e com as bandas que divulgam seus trabalhos artísticos, fator de extrema importância para a construção do cenário do rock alternativo na Capital Paulista.
[1] O Pedaço da Pizza, restaurante localizado na Rua Augusta, 2931, sentido bairro capital.
[2] Loja especializada em discos raros.
[3] Banda de Rock Alternativo formada em 1997 em São Paulo.
[4] Revista da Emissora MTV edição 74. Julho de 2007

quinta-feira, 6 de setembro de 2007

Construção


Autor: Chico Buarque

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou pra descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acbou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contramão atrapalhando o tráfego
Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou pra descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contramão atrapalhando o público
Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou pra descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contramão atrapalhando o sábado

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

A corrida

Texto do meu caro amigo Marcelo Ortiz
A corrida
Olhando-me agora no espelho vejo que o tempo realmente esta contra nós, estamos correndo contra ele, a cada dia que passa temos um dia a menos, minuto por minuto nossas vidas vão acabando, talvez isso seja bom, ou talvez ruim, quem pode dizer quem se atreve a levantar tal bandeira.Passamos nossos dias correndo de um lado para o outro, temos pressa, queremos tudo agora mesmo, não podemos esperar, não temos tempo.Trabalhamos em lanchonetes, bares, lojas, postos de gasolinas, shoppings, somos garçons, balconistas, operadores de tele marketing, trabalhamos em empregos que odiamos dia após dia, hora após hora, desejando que essas horas passem rápido, elas não passam, mas os dias passam.Crescemos educados pela televisão achando que seriamos ricos, estrelas de cinema, heróis ou personalidades, amados pelas pessoas, e quando crescemos vemos que tudo não passava de ilusão, uma grande mentira , a grande farsa.Não existem grandes mudanças nem grandes novidades, só o que temos é um dia após o outro, passamos nossas vidas esperando que aconteça algum milagre, algum grande acontecimento.Estamos participando de uma grande gincana, da corrida maluca, da corrida do ouro, estamos correndo sem sentido nem direção, não há nenhuma faixa escrito chegada, não há premio. No final dessa corrida morremos, esse é nosso premio.

E agora Brasil?

O que faremos daqui pra frente quando, os meios de produção não suportarem a demanda altamente consumista do mercado, quando acabar nossas fontes de alimento, água, energia, quando acabarem o petróleo que sustentam as máquinas, quando acabarem as árvores da Amazônia, quando as doenças si proliferarem nos grandes centros urbanos, quando acabarem os remédios e hospitais, quando acabarem os discursos fascistas dos Pastores e Padres da Igreja Católica, quando acabar o amor e o respeito entre os homens e mulheres que habitam nossa planeta, quando tudo estiver acabado e não restar mais nada é quando pensaremos um pouco sobre o que acontece com as nossa existência e agora Brasil?

Manuel Bandeira

Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma. A alma é quem estraga o amor. Só em Deus ela pode encontrar satisfação. Não em outra alma. Só em Deus ou fora do mundo. As almas são incomunicáveis. Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.Porque os corpos se entendem, mas as almas não.

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Ilha das Flores

Ilha das Flores
Por: Alex Medeiros

O documentário, Ilha das Flores produzido e dirigido pelo cineasta Jorge furtado no ano de 1989, mostra a triste realidade que acontece todos os dias, mulheres e crianças alimentando-se do lixo.
A narração parte da história de um tomate que é plantado, colhido, transportado e vendido num supermercado, mas apodrece e acaba indo parar no aterro. Um fazendeiro, paga para alimentar seus porcos no local, ele separa os melhores alimentos para os bichos. Depois que os porcos desfrutam do seu banquete, ele abre a cerca, marca dez minutos no seu relógio é o tempo que as mulheres e crianças tem para comer e levar os alimentos estragados para a casa e não morrerem de fome. No Brasil os porcos têm prioridade aos homens, como podemos aceitar isso?

sábado, 1 de setembro de 2007

O analfabeto político

O Anafalbeto Político
(Bertold Brecht)

O pior analfabeto é o
Analfabeto político. Ele não ouve,
não fala, nem participa dos
acontecimentos político.
Ele não sabe que o custo de vida,
o preço do feijão, do peixe,
da farinha, do aluguel,
do sapato, e do remédio,
dependem das decisões políticas.
O analfabeto político
é tão burro que se orgulha e
estufa o peito dizendo
que odeia a política.
Não sabe o imbecil que
Da sua ignorância política
nasce a prostituta,
o menor abandonado,
e o pior de todos os bandidos
que é o político vigarista,
pilantra, o corrupto
e lacaio dos exploradores do povo.

sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A picanha da classe média

Texto escrito pelo jornalista Carlos Azevedo vale a pena ler

Recentemente, tenho lido com freqüência manifestações indignadas segundo as quais, enquanto a classe média (elite) dá um duro danado para construir o Brasil, trabalha, paga impostos etc., o povo fica só de “chupim”, vivendo do Bolsa Família. A Veja acaba de publicar uma pesquisa que, de acordo com a interpretação da revista, demonstra ser a elite o que há de melhor no país, e que todo o nosso atraso se deve à ignorância do povo. Fiquei impactado com essas revelações luminosas, mas não perdi a fome (afinal, ninguém é de ferro, nem a elite e muito menos o povo). Fui a um restaurante e pedi uma picanha. Ela veio no ponto, rosadinha e macia. Agradeci à classe média por essa maravilha. Quantos dias de trabalho deve ter custado a essas senhoras e senhores respeitáveis, cidadãos cumpridores de seus deveres, fazer uma picanha como essa? Tem que cuidar da vaca, do bezerrinho dela, dando ração todo dia, curando suas doenças até virar novilho, tudo isso pisando em bosta de boi, sem esquecer aquele cheiro de curral. Depois, matar o boi etc. etc., até extrair a maravilhosa picanha. Enquanto isso, o povo ó!, só no Bolsa Família.Aí, peguei meu carro para ir para casa. E agradeci de novo à classe média laboriosa pelo petróleo que ela produz generosamente. (Não, não são os petroleiros, você precisa ler mais a Veja.) E pelo seu ingente trabalho de plantar cana, fazer álcool, para misturar na gasolina. Agradeci pelo carro também, porque quem senão ela faz o carro? E assim fui pensando em tudo de bom que a classe média produz, meus sapatos, as roupas, meu chapéu (eu uso chapéu quando faz frio!); em tudo que ela constrói, os prédios, as ruas, as estradas. E tudo o mais: telefone celular, televisão, computador, Internet... Percebo que Adam Smith, Ricardo e Karl Marx enganaram-se redondamente em dizer que o valor vem do trabalho. Ele vem é da classe média!E acabei pasmo, pensando em como é difícil para a classe média (elite) ter de carregar nas costas esses milhões de operários, técnicos, cientistas, trabalhadores na agricultura, bóias-frias, camponeses sem terra, índios, esses vagabundos! Ainda bem que ela consegue se distrair nos shopping centers, cinemas, na televisão a cabo, no Orkut (que ela fez), matar a saudade da Disney comendo sanduíche do Mcdonalds (que a classe média americana fez). Oh, meu Deus, que peso! Não é de estranhar que esteja tão cansada! Por que o governo não cria também uma Bolsa Classe Média?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Documentário revela mentiras da Emissora Rede Globo

Documentário revela mentiras da Emissora Rede Globo
Por: Alex Medeiros

O documentário Muito Além do Cidadão Kane desenvolvido pela Emissora BBC de Londres, produzido no ano de 1987 mostra as mentiras, manipulações e manobras políticas da Rede Globo.
Roberto Marinho foi o grande criador da emissora, inventando o padrão globo de qualidade, mais uma forma de alienar seus telespectadores. Todas as manhãs o país acorda com o programa da apresentadora Xuxa assistido por crianças, jovens e adultos mostrando um mundo de encanto e magia, na grade do programa, desenhos e gincanas fazem a alegria da garotada, longe da realidade da maioria dos brasileiros, um país com aproximadamente vinte milhões de crianças abandonadas, dezoito milhões de analfabetos e cinqüenta milhões de famintos. Depois do programa da rainha dos baixinhos vem o jornal local e o jornal hoje mostrando matérias apelativas e emocionais, partindo sempre de um personagem, narrando-se a história de alguém que conseguiu vencer na vida, uma visão de otimismo para as pessoas não perderem a esperança. Em seguida vem à sessão da tarde que chega com filmes bobocas e repetidos, em seguida à novela teen malhação da as caras onde crianças, jovens bonitos e adultos vivem num mundo de fantasias, logo vem à novela das seis, feita para o público jovem e dona de casa, a novela das sete entra em cena para pessoas que chegam em casa do trabalho e não precisam prestar atenção ao que esta acontecendo, é comum ver mulheres bonitas, homens sem camiseta com corpos musculosos e roteiros sem pé nem cabeça. A novela das nove é uma trama mais bem elaborada, com os principais atores da casa, onde o pobre tem perspectiva de vida, é bonzinho, tem todos os dentes brancos na boca e roupas de marca. As novelas são escritas por Escritores já consagrados, onde escrevem basicamente as mesmas histórias mudando-se apenas os personagens, uma fórmula que sempre da certo. A primeira versão da novela Selva de Pedra chegou a incrível marca de 99% de audiência, mais de cinqüenta e cinco milhões de aparelhos sintonizados no canal. A emissora e suas filias espalhadas pelo país faz a cobertura de 99% do território nacional. A rede vive da renda publicitária que no seu horário nobre é caríssima. No domingo a emissora vende o circo com o Futebol e o programa Domingão do Faustão e suas olimpíadas idiotas, os artistas que se apresentam no programa não ganham nada para vincular suas músicas, pelo contrário, eles pagam para aparecerem por lá, depois vem o fantástico para encerrar a catástrofe.
A globo apoiou o golpe militar, distorcendo informações sobre o caso, dizendo que não divulgou nada a respeito por ter sido censurada pela ditadura o que fica bem claro no documentário que não é a verdade. Outro fato marcante foi o debate para a presidência em 1990, entre os candidatos a república Fernando Collor e Lula. Poucos dias da eleição o jornal nacional editou e divulgou um vídeo de dez minutos sobre o debate favorecendo Collor, divulgando uma pesquisa que não foi perguntada a ninguém, resultado que influenciou diretamente a eleição. A globo colocou Collor no poder e depois da besteira que ambos fizeram ela o tirou do cargo da Presidência. Depois dessas informações você ainda irá continuar a enganar-se assistindo a Rede Globo?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Resenha Contracultura

No livro o que é contracultura do autor Carlos Alberto M. Pereira ele aborda a questão da contracultura como manifestação artística feita pelos jovens na década de sessenta. Segundo o autor o termo “contracultura” foi inventado pela imprensa norte-americana, nos anos 60, para designar um conjunto de manifestação culturais que floresceram, não só nos Estados Unidos, como em vários outros países, especialmente na Europa e, embora com menor intensidade e repercussão da América Latina. Contracultura é a cultura marginal, independente do reconhecimento oficial. No sentido Universitário do termo é uma anticultura. Pode-se entender contracultura, como um fenômeno histórico concreto e particular, cuja a origem pode ser localizada nos anos 60 e como uma postura, ou até uma posição, em face da cultura convencional de crítica radical.
Surgido inicialmente na imprensa, o rótulo contracultura foi ganhando um espaço de circulação cada vez mais amplo. E isto, na medida em que o fenômeno a que ele se referia ia também expandindo e se revelando aos olhos de um número crescente de pessoas, como um tema obrigatório de discussão. É claro que não se pode esquecer de deixar de levar em consideração a força, o poder da grande imprensa, no sentido de lançar rótulos e modismos.
Os jovens da época começaram a identificar-se com um tipo de cultura que se difere dos padrões da hegemonia da cultura vigente. Esse espírito Libertário e questionador da racionalidade ocidental, que viria marcar tão fortemente isto que ficou conhecido como a contracultura já se Anunciava nos anos 50, com uma geração de poetas a “beat generation” que produziu um verdadeiro símbolo do fenômeno com o poema “Howl” de (Allen Ginsberg, 1956) que traduzido significa uivo ou berro. Nesta mesma época com seu apogeu por volta dos anos 1956-1968, surge o rock sintetizado na figura provocativa de Elvis Presley, aglutinando um público jovem que começava a fazer deste tipo de música a expressão do seu descontentamento e rebeldia, tornando inseparáveis a música, a arte e o comportamento.
Escolhi fazer a resenha onde o autor Carlos Alberto M. Pereira narra a história da contracultura e seus expoentes dentro de uma linguagem simples, clara e objetiva. O livro faz parte de uma coleção de livros da Brasiliense, traz átona diversos assuntos dando enfoque maior a um interesse público.

Eu também cansei

Por Guilherme Arruda Aranha*
A campanha “cansei”, promovida pela OAB/SP e por setor do alto empresariado nacional, auto-intitulada “movimento cívico pelo direito dos brasileiros”, convoca os cansados em geral a fazer um minuto de silêncio às 13h00 de hoje “pelo bem do Brasil”.
Não contem comigo: não vou fazer um minuto de silêncio nem vou bater panelas, pois cansei mesmo foi das campanhas “da paz”, campanhas “contra o governo” e sobretudo das campanhas do tipo “cansei”. Cansei também dos berros da classe média, oprimida entre os ricos e o crime organizado, se achando o umbigo do universo.
Cansei da classe média incapaz de se ver refletida no espelho que é a política, sem a dignidade de assumir que a corrupção que tanto critica nos “outros” é, em sua origem, a mesmíssima daquele que desembolsa cinqüenta reais para não ser multado, que atravessa o sinal vermelho porque não tem guarda olhando e que faz ultrapassagem pelo acostamento na volta do feriadão.
Cansei da classe média que só enxerga a corrupção dos políticos mas é cega e complacente com empresários corruptores e sonegadores de impostos. Cansei da classe média que não se dá conta que a moral só existe na primeira pessoa e que o resto é moralismo (para quem negocia com o dinheiro público, seja político ou empresário, desejo apenas a aplicação da lei). Cansei da classe média pedindo o retorno de governo autoritário, de direita ou de esquerda, pouco me importa, para "moralizar essa bagunça”. Era só o que faltava.
Cansei da classe média disparando e.mails ideológicos e confundindo isso com consciência política. Cansei da classe média com acesso a ensino de qualidade mas que só lê, quando lê, o mesmo jornal, a mesma revista de sempre e nunca leu Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Marx, Proudhon ou Weber. Não precisava sequer ler na fonte, bastava pegar um livro introdutório para entender algumas das divergências entre tantos autores geniais, atentos às riquezas e misérias da formação daquilo que chamamos hoje de Estado moderno, situando-se um pouco melhor no mundo em que vivemos.
Cansei de uma classe média que odeia a política pelo erro primário e cristão de confundir seres humanos com anjos, o que é uma receita para a decepção, pois é óbvio que homens não são anjos e, portanto, precisamos de política, este mal necessário. Cansei do mesmo bom-mocismo que divide o mundo de forma maniqueísta: o "Bem" está com a classe média, o "Mal" está com os políticos, aqueles estranhos seres corruptos que vieram de outro planeta e precisam ser exterminados.
Cansei também de achar que o Brasil é uma porcaria maior do que outros países (não é mais nem menos porcaria que EUA, Cuba, França, Canadá, Japão, Austrália, Espanha, Itália ou Suíça). O Brasil tem suas contradições (como qualquer país) e uma delas é ser uma força econômica com péssima distribuição de renda. Aqui a noção de poder legal (Weber) ainda é subversiva e o capitalismo é selvagem. E uma hora os pobres virão mesmo cobrar o que é deles.
Agora agüenta, classe média: a incompetência também é nossa e não só dos políticos. Agora agüenta, elite blindada e herdeira de nossa tradição autoritária: a má distribuição de renda é um problema coletivo; a indústria dos carros blindados e dos condomínios murados, uma solução individual (e individualista). Mas essa equação não fecha: não há soluções individuais para problemas coletivos.
Em suma: como advogado paulista não me sinto “representado” aqui pela OAB/SP (não foi com o meu aval que esta entidade uniu-se à “indignação” de um empresário como João Dória Junior, a quem apraz promover desfile de cachorros de madame em Campos de Jordão). Como cidadão, não vejo nada de “cívico” nesse movimento, orquestrado sabe-se lá com qual verdadeira finalidade. E se uma dessas finalidades for um movimento “fora Lula”, sou contra, assim como era contra o “fora FHC”, não por simpatia política, mas por convicção democrática.
Antes que me perguntem qual é, afinal, a solução para todos os problemas de nosso país, respondo o óbvio: não sei. Sei apenas que não existe mágica. Fiquemos, pois, com a política e façamos dela a nossa responsabilidade (e não apenas a responsabilidade dos “outros”, os políticos), conscientes de que no meio do caminho há pedras. Sempre haverá pedras no meio do caminho.
Hoje, portanto, não bato panelas nem faço um minuto de silêncio. Há exatos 20 anos, aliás, morria Drummond. Às 13h00 de hoje, em homenagem ao poeta, chutarei uma pedra na rua. Ao anoitecer, porém, saberei que “é a hora dos corvos, bicando em mim meu passado, meu futuro, meu degredo: desta hora, sim, tenho medo”.
__________________
* Guilherme Arruda Aranha, 35, advogado, mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC/SP e professor de Filosofia do Direito (PUC/SP e UNIFIEO), além de pertencer à classe média.

sábado, 18 de agosto de 2007

Acreditávamos que mudaríamos o mundo. À noite sonhávamos e durante o dia nós comíamos o sonho da padaria em frente.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Soldados

Somos soldados de chumbo
Ouvimos as vozes
Andamos em fila
Obedecemos as ordens
Não sabemos para onde vamos
Não sabemos se estamos vivos
Somos soldados de chumbo
Servimos ao caos todos os dias
Jogamos o joguinho sujo
Somos soldados de plástico
Em uma guerra de mentira

1968

Música: Anarquia
Autor: Ronnie Von


Prepare tudo o que é seu
Veja se nada você esqueceu
Pois amanha vamos para rua fazer
Fazer uma tremenda anarquia
Pintar as ruas de alegria
Porque
Quem manda hoje somos nós mais ninguém
E não ligamos pra quem vai e quem vem atrapalhar
A quem nos queira atrapalhar
Pois amanhã vamos pra rua fazer
Fazer uma tremenda anarquia
Pintar as ruas de alegria
Porque
Quem manda hoje somos nós mais ninguém
E não ligamos pra quem vai nem quem vem atrapalhar
A quem nos queira atrapalhar
E assim nós iremos adiante
Iremos custe o que custar
Pois as ordens vêm de um alto falante
Que só nós não conseguimos escutar

As putas de amarante

Tudo corria bem na vida de Amarantes, ele era uma cara feliz como todos os outros garotos de sua idade.Gostava de jogar bola, gostava de conversar com os amigos, gostava de bebidas, mulheres, era uma cara popular e autor de diversas frases famosas.Aquele tipo de pessoa que os homens invejam e que as mulheres se apaixonam.Amarantes tinha uma personalidade diferente das demais pessoas, ele costumava sempre dizer:-Nunca vou me apaixonar, as mulheres são todas umas putas, putas pagas, é isso que elas são! E assim era a vida de Amarantes, escola, mulheres, futebol, viagens com amigos, conversas, cigarros, bebidas, noitadas... Mas sempre sem nenhum compromisso, o que Amarantes mais odiava na vida eram os compromissos, isso ele realmente odiava.Amarantes passou a vida toda fugindo de qualquer coisa que exigisse compromisso, ia mal na escola e só passava de ano porque os amigos ajudavam, não que ele fosse burro nem nada, o problema era o compromisso, sempre o compromisso.Seu pai por diversas já havia tentado lhe pagar cursos de inglês, informática, música e ele até que começava, por umas duas semanas ia todo o dia, mas depois relaxava e não ia nunca mais, seu pai ficava furioso e sempre falava que nunca mais pagaria nada para ele, e que ele iria passar a vida toda nessa vidinha que ele levava hoje.Mal sabia seu pai que isso teria sido melhor do que a futura opção de Amarantes.Pelo seu jeito descontraído e por nunca ter namorado, Amarantes colecionava mulheres apaixonadas que faziam tudo por ele, e que mesmo que ele não desse nenhuma atenção, eram extremamente fiéis, ele adorava isso.Ele adorava sair e ver aquele bando de mulheres apaixonadas, sempre ligando, sempre fazendo o que ele queria na hora que ele queria, ele dizia:-Olha só essas putas, todas minha putas! - mas em como todo harém existia uma em especial, uma mulher que mesmo que ele não admitisse era sua preferida, e assim Amarantes foi levando a vida, terminou o colégio, conheceu novas mulheres, novos amigos até que um dia, encontrou sua antiga "puta preferida" como ele mesmo dizia, correu para conversar com ela quando descobriu o que ele não considerava que fosse possível acontecer.Ela estava namorando.Isso ele não conseguia aceitar, como uma mulher poderia o abandonar? O Amarantes que lhe havia proporcionado tantos bons momentos! se bem que fazia um certo tempo que ele não à via, mas mesmo assim, tinha sido abandonado por sua preferida! Ele tentava, mas não conseguia entender porque, e também, porque aquilo doía tanto, afinal, ele nunca tinha sofrido de amor! Ele tentava sem sucesso pensar:-Dane-se ela não passa de uma puta! Mas seu coração ele não enganava , estava completamente perdido pelo ciúmes e por outros sentimentos que até então desconhecia totalmente.Ele finalmente engoliu seu ego, e foi conversar com sua preferida, em um último suspiro de esperança, mas não teve nenhum sucesso.A garota parecia amargurada por a ter ignorado durante anos , e então lhe disse aquelas dolorosas palavras:-Você já teve sua chance, sofri demais por você, agora chega, nunca mais!Então o mundo desabou para ele, não conseguia mais comer, não conseguia fazer mais nada, as outras garotas já não o atraiam mais, sua família ao perceber a angústia de Amarantes tentou ajudar de todas as formas, mas não adiantava, tudo que ele precisava estava fora de seu alcance! Ele só se sentia melhor quando dormia, quando dormia e sonhava com a preferida.Sonhava que estavam viajando, que estavam se beijando no parque, e tudo mais que ele sempre havia repudiado, até que finalmente tomou sua decisão!Numa bela manhã saiu de casa, pegou todo o dinheiro que tinha, comprou uma grande quantidade de tintas, panos e pedaços de madeiras e voltou para sua casa.Sua família estranhou bastante a atitude de seu filho, mas estava tão feliz que ele finalmente havia saído de casa que não quis lhe perguntar mais nada, então ele se trancou em seu quarto, fechou a janela com madeiras e panos, e começou a pintar.Sua maior, e mais bonita obra de arte e que também, viria a ser sua última.Ele pintou na parede do seu quarto um céu, o mais maravilhoso céu, o céu de um verão em uma praia deserta, cheia de estrelas e com a lua cheia mais bonita vista da terra.Um desenho que deixaria qualquer pessoa impressionada, uma verdadeira obra de arte.Foi então que ele dormiu e decidiu não acordar nunca mais, para poder sonhar a vida toda com seu amor, afinal, seus sonhos, eram imensamente melhores que sua vida real.E quando seu corpo se cansasse de dormir, e seus olhos abrissem sem seu controle, e olharia para aquele lindo céu, veria que ainda era noite e voltaria a sonhar com sua amada.
Texto do meu grande Amigo Danilo Aguiar

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O trabalho mata em silêncio

O suicídio de alguns executivos da Renault, na França, chama atenção para um fenômeno oculto: milhares de mortes podem ser provocadas, a cada ano, por cânceres e neuroses claramente associadas aos ambientes a que são submetidos os assalariados
Provocar o suicídio de outrem é punido com três anos de prisão e 45 mil euros de multa, quando a provocação tiver sido seguida do suicídio ou de uma tentativa de suicídio (Código penal francês, artigo 223-13).
Triste recorde para a França, na liderança dos países nos quais o suicídio – especialmente entre os homens ativos – está crescendo continuamente, desde 1975. Foram 11 mil mortes por esta causa, em 2000, ‘‘ou seja, mais de um por hora’’, apontaram os sociólogos Christian Baudelot e Roger Establet. No livro, tão preciso quanto inquietante, afirmaram: ‘‘Em toda parte e como sempre, são contradições graves entre as exigências da vida social e o destino individual [1]”. Segundo dados recentes fornecidos pelo Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm, em francês), o número de mortes por suicídio estabilizou-se em cerca de 12 mil casos por ano.

Fonte: Diplomatique Brasil

Da barbárie e seus antídotos

Sociedade do espetáculo. Criado ainda na década de 1960, pelo sociólogo e filósofo francês Guy Debord, este conceito parece mais atual que nunca, em agosto de 2006. A ameaça que ele expressa – o advento de uma sociedade na qual o poder tornou-se intangível a ponto de reduzir os cidadãos à condição de espectadores – parece realizar-se no filme de horrores que se desenrola no Oriente Médio. Em contrapartida, Debord está vivo também na busca de novos meios para enfrentar a alienação e a indiferença. A multiplicação dos meios de comunicação alternativos (incluindo os blogs) permite, por exemplo, imaginar um mundo em que todos seremos produtores de informação, narrativas e interpretações. Na nova edição do Le Monde Diplomatique, quinze textos ajudam a compor, em profundidade, o mosaico de nossos dilemas.
Três artigos debatem os dramas provocados, no Oriente Médio, pela política expansionista israelense. No primeiro
deles, Alain Gresh destaca algo que passou despercebido na maior parte das análises. Nos Estados Unidos, os neoconservadores trataram o conflito como “a nossa guerra”. É como se, depois de ter profetizado o “choque de civilizações”, a direita norte-americana se empenhasse em provocá-lo, contando para isso com a “mão de gato” de Israel. A capacidade dos EUA para exercer hegemonia política declinou sensivelmente, após anos de unilateralismo e de uma aventura frustrante no Iraque. A pujança de sua economia e finanças repousa num déficit externo colossal, cuja sustentabilidade é muito duvidosa, a médio prazo. A guerra é, hoje, o único terreno em que a supremacia de Washington é incontestável. Os neocons, cujo objetivo explícito é assegurar “um novo século norte-americano”, teriam em perspectiva alcançar esta meta nos campos de batalha?
Os outros artigos sobre Israel
1 2 descrevem a tentativa de mudar o mapa do país, anexando territórios palestinos na Cisjordânia, ampliando as colônias de ocupação e consolidando a “conquista” por meio do “muro de Sharon”. Surpresa: os textos mostram que a maior parte dos ocupantes não é atraída por argumentos ideológicos. São os pobres de Israel. O desmonte dos sistemas de bem-estar social, nos anos 80 e 90, roubou-lhes a possibilidade de uma vida digna. São agora empurrados para as áreas de ocupação. O Estado oferece-lhes imóveis subsidiados. Grandes empresas (inclusive nos setores de alta tecnologia) aproveitam-se de sua fragilidade e transferem parte de sua produção para as colônias, onde podem exigir trabalho intenso, e pagar salários reduzidos.
Da comunicação de massa às redes de solidariedade
Como você enxerga o surgimento da Wikipedia, a multiplicação dos blogs ou a audiência espantosa do YouTube? Nova forma de divertimento adolescente? O filósofo da Comunicação Manuel Castells pensa de outro modo. Para ele, podemos estar entrando numa
Era da Intercomunicação, na qual estaria rompido um dos mecanismos mais usados para o controle das mentes durante toda a modernidade. Trata-se do poder de ocultar – algo muito mais forte, pensa Castells, que a capacidade de distorcer os fatos. Ao romper o oligopólio das grandes empresas de mídia, ao permitir que cada ser humano deixe a condição de mero consumidor e se transforme em produtor de conteúdos, escreve o filósofo, a internet pode neutralizar este poder.
Não é à toa, prossegue ele, que o movimento altermundialista está se apropriando rapidamente de recursos como os blogs, as mensagens via celular (SMSs), o Skype. Ferramentas como o RSS permitem conectar os blogs uns aos outros, formando redes que atuam "não só na organização, mas também no debate e intervenção". Já há, aliás, precedente de fatos políticos relevantes produzidos com auxílio das novas tecnologias. Em 2004, o então primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar, perdeu surpreendentemente as eleições e o mandato, ao ver desmascarada, por mensagens de SMS, sua tentativa (e a da mídia tradicional) de atribuir ao ETA os atentados contra estações de trem de Madri. Faltará algo semelhante ao México? Lá, argumenta nosso
editorial de agosto, assinado por Ignácio Ramonet, produziu-se, nas últimas eleições presidenciais, fraude em larga escala contra Manuel Lopez Obrador.
Mais três textos, na edição de agosto, debatem alternativas para um mundo em que a lógica dos direitos predomine sobre a da mercadoria. O jornalista colombiano Henando Calvo Ospina
descreve a atuação internacional, nos últimos vinte anos, da medicina cubana. Ao oferecer tratamento gratuito de excelência, a milhares de pacientes em todo o mundo, ela demonstrou que é viável garantir a todos o direito aos bens e serviços necessários para uma vida digna. O italiano Carlo Petrini explica as bases de um movimento pouco conhecido no Brasil: o Slow Food, que pretende oferecer, como contraponto à alimentação industrializada e à agricultura produtivista, o respeito às culturas alimentares e o deleite da gastronomia – entendida como "tudo aquilo que é relativo ao homem, enquanto ser que se nutre". Bernard Cassen, diretor-geral do jornal, reporta a experiência de Saint-Camille, uma comunidade de 446 habitantes no Canadá, que enfrentou o risco de extinção graças a espírito comunitário, uma instituição financeira alternativa e coragem para usar as novas tecnologias em favor de todos.
Do Sul exótico ao real
Há décadas, uma das marcas editoriais do Le Monde Diplomatique é o esforço para produzir uma visão de mundo não-centrada nas nações do Norte – e, ao mesmo tempo, para des-folclorizar o Sul. A edição de agosto traz
reportagem sobre Burkina Faso, um dos três países mais pobres (segundo o critério IDH) do mundo. Lá, graças a esforços coordenados de movimentos sociais, ONGs e autoridades, tem havido vitórias notáveis contra a mutilação sexual feminina – um costume praticado há séculos e atribuído erroneamente ao islamismo. Em parte, os êxitos agora alcançados são ecos do esforço de Thomas Sankara, presidente assassinado em 1987 e visto hoje como inspiração pela juventude que vislumbra a possibilidade de outra África
O Sul é, também, alvo de um fenômeno que ganhou há alguns anos dimensão global: é o turismo sexual de massa, que se espalha por países tão díspares entre si como Brasil, Tailândia, Goa, Índia, Jamaica, Marrocos, Senegal, Cuba e México. Nosso
texto observa: vivemos num mundo em que novas condições de mobilidade facilitam o contato com outras culturas e geografias. No entanto, os mesmos obstáculos que nos impedem de desfrutar integralmente a condição de ser humano nos levam a buscar, em qualquer parte, apenas os prazeres superficiais.
Cinema, literatura, filosofia
Parece haver, hoje, em qualquer parte, uma aproximação entre os mundos da arte e da transformação social. Na maioria dos países, a política institucional torna-se um espaço tão opaco, e tão infecundo de mudanças, que a busca de saídas associa-se, de várias maneiras, à (re)invenção da realidade. Le Monde Diplomatique destaca, em agosto, três grandes per sonagens do mundo da cultura. O escritor e ensaísta marroquino Tahar bem Jelloun imagina, num
conto inédito, o que será dos idiomas (e das culturas) européias quando o último imigrante for, enfim, expulso. O escritor inglês John Berger resenha La Rabbia [A Raiva], documentário em que Pier Paolo Pasolini constrói uma visão singular sobre o século 20, os riscos de eticídio e o direito ao sonho.
Eis que regressamos a Guy Debord. Sua obra completa acaba de ser lançada, no francês original. Ao ressaltar o caráter “irrecuperável” (pelo capitalismo) das idéias que a orientam, o crítico Guy Scarpetta acaba expondo a
outra face da moeda: o Debord cuja acidez era movida, sobretudo, pela certeza de que o ser humano é capaz de inventar incessantemente a própria vida; e que qualquer situação que o prive de tal direito é simplesmente inaceitável.
A moda está fora de moda
A NOSSA ESCROTA MÍDIA VIROU APENAS MAIS UM PRODUTO A SERVIÇO DA BURGUESIA, MALDITOS NEOLIBERALISTAS QUE ESTUPRAM A NOSSA CULTURA E ANIQUILA O POVO CONSTRUINDO DESIGUALDADES SOCIAIS. ABRA OS OLHOS
Tenho pena desses adolescentes, cheio de espinhas no rosto, que ficam trancados nas academias de musculação cinco horas por dia, tentando parecer com seus ídolos.

Solidão

A solidão me mata. Sei que nada parece mudar, talvez seja melhor assim. Só encontrar a paz na tristeza. Perco-me todos os dias, morro e ressuscito todas as noites. O final é um só o caminho é que é diferente.

sábado, 4 de agosto de 2007

Dados Curiosos

Texto de Frei Beto
No Brasil, reduzir o analfabetismo entre mulheres em apenas 1 por cento equivale a evitar 415 mortes por ano. Aumentar em 1 por cento a rede de esgoto significa evitar 216 mortes/ano. Se o número de casas que recebem água tratada aumenta 1 por cento, 108 mortes são evitadas/ano. E, se o número de leitos nos hospitais aumenta 1 por cento, 27 mortes são evitadas/ano. Os dados são do estudo de Mário Mendonça e Ronaldo Motta, Saúde e Saneamento no Brasil, Ipea, 2005. Duas em cada cinco pessoas no mundo vivem com menos de 6 reais por dia. Não têm acesso ao saneamento básico 2,4 bilhões de pessoas. Metade das infecções por HIV ocorre entre jovens.
Neste ano de 2007, pela primeira vez, há mais habitantes nas zonas urbanas que nas rurais. Em 2015, teremos 22 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes cada, das quais dezesseis em países pobres. Em 2030, 60 por cento da população viverá em centros urbanos, o que equivale a 5 bilhões de pessoas. Em 2050, o planeta terá 8,9 bilhões de habitantes (fonte: Relatório sobre a Situação da População Mundial, ONU).
Nos EUA são gastos, anualmente, cerca de 60 bilhões de dólares em produtos de beleza. Na Europa, 50 bilhões de dólares/ano no consumo de sorvetes.
Tome em mãos dez moedas. Cole uma etiqueta em cada uma, numerando-as de 1 a 10. Ponha-as no bolso. Agora tente pegar a de número 1. Você tem uma chance em dez. Tente pegar a 1 e, em seguida, a 2. Sua chance é uma em 100. Se quiser pegar a 1, a 2 e a 3, em seqüência, a chance cai para 1.000. E você tem uma chance em 10 bilhões de pegá-las todas em seqüência. Segundo Cressy Morrison, que presidiu a Academia de Ciências de Nova York, são necessárias as mesmas condições para a vida na Terra ter acontecido por acaso. Maior “milagre”, caro(a) leitor(a), é você e eu estarmos aqui.
Na vida dos políticos, os números também são intrigantes. Lula é marcado pelo 13. A mãe vendeu a terra em que morava por 13 contos de réis. A viagem de pau-de-arara de Garanhuns a São Paulo, em 1952, levou 13 dias. O número do PT é 13. Ele foi eleito presidente no 113º ano da República.
Fidel nasceu em 1926. Em 13 (metade de 26) de agosto. Tinha 26 anos quando iniciou a revolução em Cuba, com o assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba. Isso ocorreu no dia 26 de julho de 1953.
Na natureza, a decomposição do papel leva de 3 a 6 meses; dos tecidos, de 6 meses a 1 ano; dos chicletes, 5 anos; da madeira pintada, 13 anos; dos plásticos, 500 anos; do vidro, 1 milhão de anos; da borracha, tempo indeterminado.Uma tonelada de aparas pode substituir quase 4 metros cúbicos de madeira. A reciclagem evita a morte de cerca de 30 árvores.
Para fabricar 1 tonelada de papel no processo tradicional são necessários 100.000 litros de água. Se o papel é reciclado, bastam 2.000 litros. Caro(a) leitor(a), elenquei esses dados porque talvez um deles seja do seu interesse. Se não for, azar nosso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Os homens morrem e não são felizes.
O ser humano deve procurar a paz sempre, mas não espere ela aparecer somente nos presentes de ano novo.

3 dias de paz e amor

O Woodstock foi um dos maiores festivais de música realizado no Mundo. O evento foi em uma fazenda em Bethel, Nova York durante os dias 15, 16 e 17 de Agosto de 1969. Bandas como The Who, Hendrix, Janes Joplin, Tem Years After, Jefferson Airplane, Joe Cocker, dividiram o palco do lugar em que muitos jovens chamaram de ter sido o Paraíso aqui na terra, e que se o céu existe ele fez parte de Woodstock, isso prova que já existiram coisas boas entre os seres humanos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Os Cem Passos (Cento Pass – Itália/2001),

Conta a história real da máfia italiana. Baseado em fatos verídicos, traz como personagem principal Peppino Impastato, um rapaz que, apesar de pertencer a uma família de mafiosos, é influenciado por um pintor comunista e se filia ao partido esquerdista. Desesperado, seu pai faz de tudo para integrá-lo ao mundo do crime, mas Peppino o desafia e mostra todo seu desprezo a essa realidade. Ele, inclusive, funda uma estação de rádio rebelde e distribui mensagens contra o crime organizado, estimulando muitos outros jovens.
A história se passa em Cinisi, uma minúscula cidade siciliana que, nos anos 60, era ponto de referência no tráfico de drogas. Lá, além de Peppino, vive o chefão Tano Badalamenti, precisamente há cem passos de sua casa. O elenco é formado por Luigi Lo Cascio, Luigi Maria Burruano, Lucia Sardo, Paolo Briguglia, Tony Sperandeo, Andrea Tidona, Claudio Gioè.

Passos

Vejo você dizendo adeus
Todas as manhãs
Todas as noites
E você deve se perguntar porque?
E você deve se perguntar porque?
A noite esta clara
Um milhão de estrelas no céu
Estou procurando um novo lugar
Eu quero voar agora
Estamos caindo
Dançamos juntos
Não vejo saída
Sonhos e devaneios
Pensamentos que castigam
Vagando pela imensidão
Ouço o barulho do seu sapato
Partindo de vez
Vejo sua boca dizendo Adeus
Seus passos descendo as escadas

Descanse em paz, Bahia!

Incluo-me entre os baianos e brasileiros em geral que, conhecendo o papel antidemocrático e truculento desempenhado pelo político e empresário Antônio Carlos Magalhães na Bahia e no plano nacional, antes, durante e depois do golpe militar de 1964, não lamentam sua morte. Quanto mais rápido o país se desvencilhar de políticos como ele, mais fortalecidas ficarão as liberdades democráticas de seu povo, arduamente reconquistadas em 1984.Nas várias vezes em que ocupou a prefeitura de Salvador e o governo da Bahia, nomeado ou eleito, Antônio Carlos Magalhães realizou uma administração paradigmática dos tempos do regime ditatorial tecnocrático-militar: favoreceu os interesses do capital nacional ou estrangeiro em detrimento dos interesses dos trabalhadores, sufocados por elevadas taxas de desemprego e subemprego e por deprimidos salários; estimulou a modernização de alguns setores da agricultura, mas também a concentração da propriedade territorial; ergueu obras vistosas nos centros urbanos, principalmente de Salvador, relegando as periferias ao abandono e os serviços públicos de saúde, educação e transporte coletivo à degradação; cortejou alguns setores de intelectuais e artistas, mas cerceou, quanto pôde, a participação popular crítica e independente na vida política; e, posando de generoso e benfeitor, não hesitou em cometer as arbitrariedades mais mesquinhas contra seus adversários. O denominado “carlismo” é uma criação típica da atmosfera rarefeita da época ditatorial, preservado, entre outros fatores, pelo apoio da Rede Globo. É um estilo de dominação oligárquica e um tipo de cultura política nefastos, que precisam ser erradicados completamente do solo baiano.Pessoalmente, guardo a imagem do então deputado federal Antônio Carlos Magalhães celebrando a vitória dos golpistas em pronunciamento raivoso e vingativo na TV Itapoã na noite de 1º de abril de 1964, contra a cena de fundo da sede da UNE em chamas. Eu era, então, vice-presidente da UNE. Vindo de Feira de Santana, onde um grupo de democratas mais combativos tentou organizar uma resistência improvisada e malograda ao golpe, e já obrigado a meu primeiro período de vida e atuação clandestinas, assisti em Salvador a essa transmissão e a conservo na memória como uma representação simbólica do golpe que, entre outros resultados negativos, abriu caminho para a ascensão política e empresarial de Antônio Carlos Magalhães, até então uma figura de segundo plano na Bahia e no Brasil.

quarta-feira, 25 de julho de 2007

Quem lê folha, estado, época e revista veja padece da ignorância

Os idiotas da VejaA revista perdeu o rumo. Não que tenha saído do trilho que se propôs a trilhar, mas parece que os editores esgotaram sua percepção do ridículo.- Chico Guil (http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=14186)Você pode estar de olhos arregalados sobre o título desta crônica. Não esmoreça. É apenas uma retribuição previsível a um título publicado em recente edição da revista ameritucana. Segundo o autor, Álvaro Vargas Llosa, todo leitor capaz de encontrar coerência e verdade nas palavras de Noam Chomsky (considerado por muitos o maior intelectual da atualidade), ou nas linhas do jornal Le Monde Diplomatique, é um idiota. Llosa não perdoa nem mesmo o doce Saramago, que também estaria contribuindo para anuviar a vista dos leitores quando escreve sobre questões políticas.Chomsky e Le Monde costumam maltratar os mercadores da direita. Há anos eles vêm apontando os crimes das nações ricas em favor de grandes grupos econômicos e contra as classes populares. Há décadas batem forte na questão ambiental, e agora todos sabem que eles tinham razão. O mundo e a mídia descobriram isso tão logo o "iminente desastre ambiental" foi considerado um risco para os grandes de Davos.Llosa demonstra de forma irrefutável, como fazem sempre os geniais articulistas de Veja, que a miséria latino-americana deve-se a revolucionários, ou "caudilhos", como Fidel Castro, Chaves e Morales. (Nesse contexto, para a revista, Ernesto Che Guevara não passou de "um dos mais sanguinários assassinos"). Como se nestas plagas não houvesse reinado, desde Colombo, as mais estranhas e sórdidas formas de ditadura, que qualquer idiota, mesmo os da direita, veriam como governos "de direita".A revista perdeu o rumo. Não que tenha saído do trilho que se propôs a trilhar, mas parece que os editores esgotaram sua percepção do ridículo. Dias atrás publicaram, no editorial, uma charge extraída de um jornal gaúcho. O desenho mostrava Lula numa banca pedindo "uma revista de sacanagem... a Veja, a revista que só me sacaneia". E então o editor escreveu sobre o papel social e democrático da publicação, que sempre atacou os governos maus, inclusive o Collor. O editor parece ter esquecido que em 1989 saíram umas dez edições de Veja com o Collor na capa, apontando-o como "Caçador de Marajás", um jovem cérebro revolucionário, um salvador da pátria! A Globo e a Veja, por medo de Lula, fizeram Collor, e qualquer cidadão com 18 anos ou mais sabe disso.Na última edição da revista, um nobre articulista, que trata sempre de grandes temas, apontou a Guerra do Iraque como um desastre semelhante ao da Guerra do Vietnã. Para dizer isso, citou um dos maiores entendidos em invasões americanas, o jornalista estadunidense David Halberstam: "Demos um soco e ficamos com a mão presa no maior vespeiro do mundo", teria dito Halberstam. O tal articulista esqueceu de explicar que quatro anos atrás Veja publicou vários artigos escarnecendo o poder defensivo dos iraquianos, contrariando a opinião dos que diziam exatamente o que o famoso articulista diz hoje: que o Iraque iria dar um vareio de pau nos americanos. Numa das capas, apresentou um soldado árabe com o capacete meio caído, o rosto meio cadavérico, com uma arma meio enferrujada. Um sofisticado, bem armado, saudável e imortal "mariner" fazia o papel de fundo, se bem me lembro.O jogo de Veja só tem um objetivo, como todos já sabem, embora alguns ainda não saibam: ganhar. Ganhar dinheiro, muito dinheiro de seus ricos patrocinadores. A máscara de revista democrática já caiu, e os famosos articulistas, disfarçados de pacificadores sociais, estão cada vez mais caindo no descrédito. Em breve assistiremos aos idiotas de Veja caindo fora desse barco furado. Estarão mais humildes e será até possível bater um papo com eles sem levar um insulto. Talvez terão entendido o que Chomsky e o Le Monde vêm apregoando com tanto gosto: "o mundo foi feito para todos. Vamos nos divertir!", ou coisa que

Serra brinca de ser Jornalista

SERRA PRODUZ REPORTAGEM DO JNPaulo Henrique AmorimMáximas e Mínimas 545Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil.. As ligações "carnais", como diria o Menem, entre o presidente eleito José Serra e a "praça" de São Paulo da Rede Globo permitem deduzir que a reportagem de Rodrigo Bocardi no Jornal Nacional desta terça-feira, dia 24, foi pautada pelo presidente eleito.. Bocardi, desde o episódio da foto do dinheiro do delegado Bruno, tornou-se repórter do Jornal Nacional, uma espécie de "homem certo, no lugar certo".... Os serviços que Bocardi, então, prestou ao Cardeal Ratzinger da Globo, Ali Kamel, lhe renderam essa promoção.. Nesta terça-feira, Bocardi voltou a território já antes explorado, inclusive aqui no Conversa Afiada. E que começou no blog de Fernando Rodrigues, no Uol.. O IPT, de José Serra, analisou a pedido do Governo Federal o asfalto da pista principal de Congonhas, DEPOIS DA OBRA.. E considerou que o asfalto é tão bom que está acima de padrões internacionais.. Depois deste vazamento, que deve ter provocado uma fúria de vilão de filme de horror no presidente eleito, o IPT apresentou "um segundo laudo", através de um editorialista do Estadão (logo do Estadão ?).. O "segundo laudo" dizia que não dizia.. Dizia que o asfalto é ótimo, mas o banheiro exala um odor insuportável. O café servido no embarque, em frente ao finger três é aguado.... A reportagem de Bocardi vai pelo mesmo caminho: o asfalto é ótimo, mas o bebedouro não tem água .... Bocardi, sempre no lugar certo e na hora certa, dá um destaque especial à investigação (?) da Polícia Civil de São Paulo.. Pergunta-se - será que a Polícia Civil tem alguma dúvida de que o mordomo é o criminoso ?. A Polícia Civil de São Paulo tem uma reputação exemplar: das 93 delegacias de São Paulo, 84 recebiam mesada dos donos de bingos .... O que leva à conclusão de que o presidente eleito, José Serra - com essa Polícia imaculada - resolveu montar uma investigação paralela - Serra-Rede Globo: eu e você, tudo a ver .... Uma espécie de "Republica do Galeão" - aquela celebre "investigação" liderada por Carlos Lacerda e o Brigadeiro Delio Jardim de Mattos para depor Vargas. (*). A mesma investigação (?) da Polícia de Serra aparece com destaque na capa do UOL - outra sub-seção do Departamento de Imprensa e Propaganda de Serra (clique aqui).. A "República de Congonhas" - sempre um aeroporto ... - pode dar com os burros n'água, porém.. Alguém já disse que a história se repete, frequentemente, como uma farsa...(*) Recomendo a leitura do Blog do Mino: http://blogdomino.blig.ig.com.br/ - em que ele trata de um obscuro ministro do STM: "...fala recente de um ministro do Superior Tribunal Militar, Olympio Pereira da Silva Junior, segundo quem, diante da conjuntura, "pessoas de bem vão se pronunciar como já fizeram em um passado não muito distante". Até um paralelepípedo percebe a referência ao golpe de 1964..." E alguém já tinha ouvido falar em general Mourão - "a vaca fardada" - antes de 1º de abril de 1964 ?

Deus não existe

Não há prova científica da existência de Deus. A idéia de que ele exista, apenas prova que somos covardes e não queremos aceitar que não existe nada além de um enorme vazio. O mundo não foi feito exclusivamente para você, não nos importamos com uma formiga que esta ao nosso lado porque Deus se importaria com uma raça que aniquila sua própria espécie? A religião tenta dar significado para a vida do homem aqui na terra, ninguém quer ficar sozinho, mas estamos, ninguém quer morrer mais a cada segundo que se passa estamos morrendo, não existe sentido para a vida a não ser nascer, crescer, reproduzir e morrer. A existência de Deus talvez seja o mesmo que é o garfo e a faca para um faminto que não quer comer com as mãos e de boca cheia.

sábado, 21 de julho de 2007

Esse vale a pena assistam

Em 1989, pouco antes da queda do muro de Berlim, a Sra. Kerner (Katrin Sab) passa mal, entra em coma e fica desacordada durante os dias que marcaram o triunfo do regime capitalista. Quando ela desperta, em meados de 1990, sua cidade, Berlim Oriental, está sensivelmente modificada. Seu filho Alexander (Daniel Brühl), temendo que a excitação causada pelas drásticas mudanças possa lhe prejudicar a saúde, decide esconder-lhe os acontecimentos. Enquanto a Sra. Kerner permanece acamada, Alex não tem muitos problemas, mas quando ela deseja assistir à televisão ele precisa contar com a ajuda de um amigo diretor de vídeos.

A VIDA

A vida não existe sentido mesmo, a gente tem que dar direção para ela, à questão não é saber se Deus existe ou não o fato é que temos que acreditar em algo ou o que seria da nossa vida?
Perdi-me muitas vezes, admiro as pessoas que tem fé andei pelo vale da sombra sem acreditar nas pessoas, perdi minha fé completamente meus pensamentos eram pessimistas. Hoje entendo que poucas coisas mudam em nossas vidas então é melhor pensar que tudo vai dar certo e que possa existir algo além de estar aqui, seria maravilhoso.

A nossa Mídia vergonhosa

A verdade sobre o nosso "jornalismo", dita por quem o conhece bem de perto: Luiz Carlos Azenha, repórter da (pasmem!) TV Globo... Leiam com atenção e depois decidam se aceitam continuar sendo manipulados por "formadores de opinião" que têm rabo preso com tudo, menos com a verdade factual e com o bem estar da sociedade.Para entender como funciona o "jornalismo" brasileiroO poder da mídia convence juízes, políticos, delegados e deputados. Ela é tão podre quanto as outras instituições brasileiras que costuma criticar. A mídia corporativa, na mão de meia dúzia de famílias, é característica do capitalismo brasileiro, que é o do atraso, do atraso, do atraso, do atraso.- Por Luiz Carlos Azenha, jornalista (http://viomundo.globo.com/site.php?nome=PorBaixoPano)Que a mídia corporativa é golpista não é novidade. Basta ir aos arquivos e ver a cobertura que ela dedicou aos golpes de 64 no Brasil, de 73 no Chile e assim por diante.Hoje em dia, muitos daqueles que patrocinaram a "quartelada" distorcem a História para dizer que foram vítimas da censura e do regime militar.Os grupos econômicos dos quais fazem parte emissoras de rádio, de televisão e jornais representam interesses que vão muito além da mídia.Eles crescem extoquindo governos municipais, estaduais e federais, através de abatimentos de impostos, terrenos doados, isenções fiscais para a compra de equipamento, linhas de crédito do BNDES e falcatruas como a do Pará, estado em que a TV Cultura local pagava 400 mil reais por mês para "alugar" a programação da TV Liberal, uma emissora privada.Vamos usar um caso hipotético.Digamos que uma empresa quer se instalar em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.Ela então escala uma equipe para investigar a vida do prefeito.Descobre os podres.Depois troca o engavetamento da reportagem por alguma vantagem.Como eu disse, é um caso hipotético.O poder da mídia convence juízes, políticos, delegados e deputados.Ela é tão podre quanto as outras instituições brasileiras que costuma criticar: o Legislativo, o Executivo e o Judiciário.A mídia corporativa, na mão de meia dúzia de famílias, é característica do capitalismo brasileiro, que é o do atraso, do atraso, do atraso, do atraso.Vivemos numa democracia de fachada.E a mídia cria um mundo "paralelo", onde o Brasil é um cruzamento entre a zona Sul do Rio de Janeiro e dos Jardins paulistanos.Os pobres rompem essa brecha como personagens a serem aniquilados.E são, depois que a mídia chama suspeito de bandido, superdimensiona a violência contra a classe média e, com isso, justifica a barbárie policial.Tem um repórter de um jornal de São Paulo que testemunha isso diariamente, de dentro de uma grande redação.Inconformado, decidiu botar tudo num blog.É o Anti-Jornalismo.Ele escreveu:"Só com sangue de barata é possível aceitar passivamente a cobertura da grande imprensa à cassação da licença da emissora de televisão venezuelana de RCTV.Em mim produz a mesma repulsa que a corrupção nas instituições políticas. Aceitar que uma rede de TV como a CNN use imagens de um antigo protesto no México como se fossem na Venezuela é tão criminoso quanto o ato em si.Como pode essa imprensa ainda existir?Não entendo a falta de revolta dos jornalistas. É alienação ou conivência? Para um jornalista, é vergonhoso em qualquer dos dois casos.Não há nada verdadeiro no noticiário sobre a Venezuela, a não ser um ódio incompreensível por Hugo Chávez. Talvez um ódio de solidariedade com o irmão americano W. Bush, eterno merecedor do escárnio de Chávez como de qualquer outro cidadão razoavelmente informado, tal e qual deve ser todo jornalista.Porque se trata de mentir descaradamente para o público, negar-lhe informações importantes para julgar. Essa mentira foi desmascarada por vários blogues e pela imprensa alternativa. Está em todos os lugares. Em Londres, saiu um manifesto de apoio a Chávez, assinado por intelectuais, escritores, etc.Chávez cassou legalmente uma concessão pública porque o detentor dessa concessão nada mais é do que o sujeito que tentou aplicar-lhe um golpe de estado e chegou até a declarar-se presidente. Só isso. Então, não é Chávez o golpista, mas esse magnata da comunicação. E o fez com base na lei - ou seja, quando o prazo da concessão pública expirou."

Texto do Frei Beto

Decepcionados com as tradicionais oligarquias políticas, os eleitores da América Latina canalizam agora seus votos para candidatos que encarnam a esperança de mudanças capazes de reduzir a desigualdade e a miséria. Votam em gente com cara da gente: o operário Lula no Brasil; o mestiço Chávez na Venezuela; o indígena Morales na Bolívia; o militante de esquerda Correa no Equador; o ex-guerrilheiro Ortega na Nicarágua. E queira Deus que, em breve, Fernando Lugo seja eleito presidente do Paraguai e Rigoberta Menchú da Guatemala.
Na Venezuela, Chávez reforça o poder popular ao instalar os Conselhos Comunitários. Essa a única via pela qual governos democráticos podem, efetivamente, assegurar sua governabilidade sem correr o risco de ficarem reféns do Congresso e vulneráveis a golpes de Estado orquestrados desde Washington, como ocorreu na Venezuela em 2002.
No Brasil, Lula optou pela via parlamentar, formando uma coalizão partidária que lhe garante maioria no Congresso, embora sem metas definidas quanto ao projeto de um novo Brasil. Os partidos foram atraídos pela oferta de cargos na máquina do Executivo. Ao contrário de Chávez, Lula não se interessa em mobilizar os movimentos sociais, temeroso de que exijam dele mudanças na política econômica neoliberal, de rigoroso ajuste fiscal, e na política social, que está devendo a reforma agrária, porta de saída das famílias pobres que, hoje, dependem de recursos do Estado para a sua sobrevivência imediata.

Reeleito em dezembro por 63% do eleitorado, Chávez obteve a aprovação, pelo Congresso, da Lei Habilitante, que lhe permite governar nos próximos 18 meses sem consulta ao parlamento. Esta, a versão venezuelana das Medidas Provisórias adotadas à sobeja no Brasil. Até 1º de maio, Chávez pretende reduzir o poder dos consórcios petroleiros que operam na região do rio Orinoco, onde produzem cerca de 600 mil barris/dia, e com potencial para 1,3 bilhão de barris/dia.

A medida afetará empresas estrangeiras que, até agora, fartavam-se do petróleo venezuelano e inflavam seu faturamento sem contrapartida no desenvolvimento sustentável do país: as usamericanas Chevron, Exxon Mobil, Texaco e Conoco Philips; a francesa Total; a norueguesa Statoil e a britânica British Petroleum. A empresa venezuelana PDVSA é a sócia minoritária nesse consórcio. A partir de 1º de maio ela ficará com a cota de 60%; as demais, com 40%.

Consta ainda dos planos de Chávez nacionalizar a empresa Eletricidade de Caracas, hoje controlada pela AES dos EUA, e não renovar a concessão de freqüência do Estado à empresa de telecomunicações RCTV (Rádio Caracas Televisión), que poderá continuar a operar por satélite e cabo. A RCTV apoiou o golpe de abril de 2002, que tentou derrubar o presidente venezuelano e, no mesmo ano, em dezembro, a sabotagem à PDVSA, o que pôs em risco a economia do país. Chávez preferiu, à época, não punir a emissora.

Ao contrário do que apregoa a mídia dos EUA, Chávez é o presidente latino-americano com menos poderes e mais cercado de dispositivos constitucionais limitadores de sua atuação. O mais importante deles é o Referendum Revocatório, que autoriza 5% dos eleitores, cerca de 800 mil pessoas, a exigirem que o eleito se submeta à aprovação popular na metade do seu mandato. Sua aplicação ocorreu em agosto de 2004, quando a oposição venezuelana pediu o referendum e teve que amargar o resultado: a maioria da população reafirmou sua confiança em Chávez.

Se houvesse Referendum Revocatório na Argentina e na Bolívia, Fernando de la Rúa e Sánchez de Lozada teriam sido destituídos sem a pressão popular que pagou o alto preço de vidas sacrificadas. E no Peru, Alejandro Toledo, que governou com índice de aprovação inferior a 15%, teria cedido seu lugar a outro na metade de seu mandato.

No Equador, país que teve 8 presidentes nos últimos 10 anos, Rafael Correa mobiliza a nação para que se forme a Assembléia Nacional Constituinte, aprovada por mais de 70% dos eleitores no último domingo. E na Bolívia, Evo Morales comemora a redução, em apenas um ano, do déficit fiscal; a duplicação das reservas do país; e o avanço dos indicadores econômicos, graças à cobrança do preço justo do gás explorado por companhias estrangeiras e a recuperação da propriedade sobre os hidrocarburetos.

Pela via democrática e pacífica, a América Latina tenta livrar-se da miséria a que a maioria de sua população foi condenada pelas grandes potências. Se essas reagirem à perda de seus privilégios exorbitantes, o cenário do Iraque poderá se transportar para a região. Bom-senso e incenso não fazem mal a ninguém.
Vivemos dentro de nossas casas, carros e apartamentos reféns do medo e da violência banalizada. Passamos boa parte da vida, servindo grandes corporações, vendendo nossa força de trabalho por um punhado de moedas, pagamos impostos, passamos horas nas filas, pagamos contas, ficamos dentro de ônibus lotados, presos no transito caótico. Caminhamos pelas ruas até o centro, observamos milhares de pessoas jogadas nas calçadas, crianças nos faróis, milhares de seres alimentando-se do lixo. A economia do Brasil cresce 2% ao ano, mais da metade da população não tem emprego ou condições mínimas de trabalho, a democracia aqui nunca existiu e a política perdeu o seu valor. Esse é o nosso grande Futuro?

Raios-X do Brasil.

O brasileiro trabalha até 30 de Maio para pagar os impostos que chegam a 900 bilhões anuais. Para onde vai todo esse dinheiro? Sem falar nos cinqüenta milhões de famintos que existem e são seres invisíveis aos olhos da grande sociedade. A economia do nosso país, esta paralisada há 20 anos e nada mudou para o trabalhador. A classe média vem sendo esmagada a cada dia, servindo como escravos modernos, para uma minoria elitista desfrutar da vida fácil e ainda ditar as regras. As Multinacionais exploram os trabalhadores com a mão de obra barata e com o exército de contingente que espera por uma oportunidade de emprego, os desempregados são os hereges. Sete famílias mandam nos meios de comunicação do país, não tenha dúvida que a emissora rede globo, folha, estado, revista veja entre outras do segmento direitista, são empresas que servem a lógica do mercado e que colocam em prática a ideologia burguesa. Como aceitamos tudo isso? Será que é possível vivermos em um Brasil sem tantas diferenças sociais?