sexta-feira, 31 de agosto de 2007

A picanha da classe média

Texto escrito pelo jornalista Carlos Azevedo vale a pena ler

Recentemente, tenho lido com freqüência manifestações indignadas segundo as quais, enquanto a classe média (elite) dá um duro danado para construir o Brasil, trabalha, paga impostos etc., o povo fica só de “chupim”, vivendo do Bolsa Família. A Veja acaba de publicar uma pesquisa que, de acordo com a interpretação da revista, demonstra ser a elite o que há de melhor no país, e que todo o nosso atraso se deve à ignorância do povo. Fiquei impactado com essas revelações luminosas, mas não perdi a fome (afinal, ninguém é de ferro, nem a elite e muito menos o povo). Fui a um restaurante e pedi uma picanha. Ela veio no ponto, rosadinha e macia. Agradeci à classe média por essa maravilha. Quantos dias de trabalho deve ter custado a essas senhoras e senhores respeitáveis, cidadãos cumpridores de seus deveres, fazer uma picanha como essa? Tem que cuidar da vaca, do bezerrinho dela, dando ração todo dia, curando suas doenças até virar novilho, tudo isso pisando em bosta de boi, sem esquecer aquele cheiro de curral. Depois, matar o boi etc. etc., até extrair a maravilhosa picanha. Enquanto isso, o povo ó!, só no Bolsa Família.Aí, peguei meu carro para ir para casa. E agradeci de novo à classe média laboriosa pelo petróleo que ela produz generosamente. (Não, não são os petroleiros, você precisa ler mais a Veja.) E pelo seu ingente trabalho de plantar cana, fazer álcool, para misturar na gasolina. Agradeci pelo carro também, porque quem senão ela faz o carro? E assim fui pensando em tudo de bom que a classe média produz, meus sapatos, as roupas, meu chapéu (eu uso chapéu quando faz frio!); em tudo que ela constrói, os prédios, as ruas, as estradas. E tudo o mais: telefone celular, televisão, computador, Internet... Percebo que Adam Smith, Ricardo e Karl Marx enganaram-se redondamente em dizer que o valor vem do trabalho. Ele vem é da classe média!E acabei pasmo, pensando em como é difícil para a classe média (elite) ter de carregar nas costas esses milhões de operários, técnicos, cientistas, trabalhadores na agricultura, bóias-frias, camponeses sem terra, índios, esses vagabundos! Ainda bem que ela consegue se distrair nos shopping centers, cinemas, na televisão a cabo, no Orkut (que ela fez), matar a saudade da Disney comendo sanduíche do Mcdonalds (que a classe média americana fez). Oh, meu Deus, que peso! Não é de estranhar que esteja tão cansada! Por que o governo não cria também uma Bolsa Classe Média?

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

Documentário revela mentiras da Emissora Rede Globo

Documentário revela mentiras da Emissora Rede Globo
Por: Alex Medeiros

O documentário Muito Além do Cidadão Kane desenvolvido pela Emissora BBC de Londres, produzido no ano de 1987 mostra as mentiras, manipulações e manobras políticas da Rede Globo.
Roberto Marinho foi o grande criador da emissora, inventando o padrão globo de qualidade, mais uma forma de alienar seus telespectadores. Todas as manhãs o país acorda com o programa da apresentadora Xuxa assistido por crianças, jovens e adultos mostrando um mundo de encanto e magia, na grade do programa, desenhos e gincanas fazem a alegria da garotada, longe da realidade da maioria dos brasileiros, um país com aproximadamente vinte milhões de crianças abandonadas, dezoito milhões de analfabetos e cinqüenta milhões de famintos. Depois do programa da rainha dos baixinhos vem o jornal local e o jornal hoje mostrando matérias apelativas e emocionais, partindo sempre de um personagem, narrando-se a história de alguém que conseguiu vencer na vida, uma visão de otimismo para as pessoas não perderem a esperança. Em seguida vem à sessão da tarde que chega com filmes bobocas e repetidos, em seguida à novela teen malhação da as caras onde crianças, jovens bonitos e adultos vivem num mundo de fantasias, logo vem à novela das seis, feita para o público jovem e dona de casa, a novela das sete entra em cena para pessoas que chegam em casa do trabalho e não precisam prestar atenção ao que esta acontecendo, é comum ver mulheres bonitas, homens sem camiseta com corpos musculosos e roteiros sem pé nem cabeça. A novela das nove é uma trama mais bem elaborada, com os principais atores da casa, onde o pobre tem perspectiva de vida, é bonzinho, tem todos os dentes brancos na boca e roupas de marca. As novelas são escritas por Escritores já consagrados, onde escrevem basicamente as mesmas histórias mudando-se apenas os personagens, uma fórmula que sempre da certo. A primeira versão da novela Selva de Pedra chegou a incrível marca de 99% de audiência, mais de cinqüenta e cinco milhões de aparelhos sintonizados no canal. A emissora e suas filias espalhadas pelo país faz a cobertura de 99% do território nacional. A rede vive da renda publicitária que no seu horário nobre é caríssima. No domingo a emissora vende o circo com o Futebol e o programa Domingão do Faustão e suas olimpíadas idiotas, os artistas que se apresentam no programa não ganham nada para vincular suas músicas, pelo contrário, eles pagam para aparecerem por lá, depois vem o fantástico para encerrar a catástrofe.
A globo apoiou o golpe militar, distorcendo informações sobre o caso, dizendo que não divulgou nada a respeito por ter sido censurada pela ditadura o que fica bem claro no documentário que não é a verdade. Outro fato marcante foi o debate para a presidência em 1990, entre os candidatos a república Fernando Collor e Lula. Poucos dias da eleição o jornal nacional editou e divulgou um vídeo de dez minutos sobre o debate favorecendo Collor, divulgando uma pesquisa que não foi perguntada a ninguém, resultado que influenciou diretamente a eleição. A globo colocou Collor no poder e depois da besteira que ambos fizeram ela o tirou do cargo da Presidência. Depois dessas informações você ainda irá continuar a enganar-se assistindo a Rede Globo?

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Resenha Contracultura

No livro o que é contracultura do autor Carlos Alberto M. Pereira ele aborda a questão da contracultura como manifestação artística feita pelos jovens na década de sessenta. Segundo o autor o termo “contracultura” foi inventado pela imprensa norte-americana, nos anos 60, para designar um conjunto de manifestação culturais que floresceram, não só nos Estados Unidos, como em vários outros países, especialmente na Europa e, embora com menor intensidade e repercussão da América Latina. Contracultura é a cultura marginal, independente do reconhecimento oficial. No sentido Universitário do termo é uma anticultura. Pode-se entender contracultura, como um fenômeno histórico concreto e particular, cuja a origem pode ser localizada nos anos 60 e como uma postura, ou até uma posição, em face da cultura convencional de crítica radical.
Surgido inicialmente na imprensa, o rótulo contracultura foi ganhando um espaço de circulação cada vez mais amplo. E isto, na medida em que o fenômeno a que ele se referia ia também expandindo e se revelando aos olhos de um número crescente de pessoas, como um tema obrigatório de discussão. É claro que não se pode esquecer de deixar de levar em consideração a força, o poder da grande imprensa, no sentido de lançar rótulos e modismos.
Os jovens da época começaram a identificar-se com um tipo de cultura que se difere dos padrões da hegemonia da cultura vigente. Esse espírito Libertário e questionador da racionalidade ocidental, que viria marcar tão fortemente isto que ficou conhecido como a contracultura já se Anunciava nos anos 50, com uma geração de poetas a “beat generation” que produziu um verdadeiro símbolo do fenômeno com o poema “Howl” de (Allen Ginsberg, 1956) que traduzido significa uivo ou berro. Nesta mesma época com seu apogeu por volta dos anos 1956-1968, surge o rock sintetizado na figura provocativa de Elvis Presley, aglutinando um público jovem que começava a fazer deste tipo de música a expressão do seu descontentamento e rebeldia, tornando inseparáveis a música, a arte e o comportamento.
Escolhi fazer a resenha onde o autor Carlos Alberto M. Pereira narra a história da contracultura e seus expoentes dentro de uma linguagem simples, clara e objetiva. O livro faz parte de uma coleção de livros da Brasiliense, traz átona diversos assuntos dando enfoque maior a um interesse público.

Eu também cansei

Por Guilherme Arruda Aranha*
A campanha “cansei”, promovida pela OAB/SP e por setor do alto empresariado nacional, auto-intitulada “movimento cívico pelo direito dos brasileiros”, convoca os cansados em geral a fazer um minuto de silêncio às 13h00 de hoje “pelo bem do Brasil”.
Não contem comigo: não vou fazer um minuto de silêncio nem vou bater panelas, pois cansei mesmo foi das campanhas “da paz”, campanhas “contra o governo” e sobretudo das campanhas do tipo “cansei”. Cansei também dos berros da classe média, oprimida entre os ricos e o crime organizado, se achando o umbigo do universo.
Cansei da classe média incapaz de se ver refletida no espelho que é a política, sem a dignidade de assumir que a corrupção que tanto critica nos “outros” é, em sua origem, a mesmíssima daquele que desembolsa cinqüenta reais para não ser multado, que atravessa o sinal vermelho porque não tem guarda olhando e que faz ultrapassagem pelo acostamento na volta do feriadão.
Cansei da classe média que só enxerga a corrupção dos políticos mas é cega e complacente com empresários corruptores e sonegadores de impostos. Cansei da classe média que não se dá conta que a moral só existe na primeira pessoa e que o resto é moralismo (para quem negocia com o dinheiro público, seja político ou empresário, desejo apenas a aplicação da lei). Cansei da classe média pedindo o retorno de governo autoritário, de direita ou de esquerda, pouco me importa, para "moralizar essa bagunça”. Era só o que faltava.
Cansei da classe média disparando e.mails ideológicos e confundindo isso com consciência política. Cansei da classe média com acesso a ensino de qualidade mas que só lê, quando lê, o mesmo jornal, a mesma revista de sempre e nunca leu Maquiavel, Hobbes, Locke, Rousseau, Marx, Proudhon ou Weber. Não precisava sequer ler na fonte, bastava pegar um livro introdutório para entender algumas das divergências entre tantos autores geniais, atentos às riquezas e misérias da formação daquilo que chamamos hoje de Estado moderno, situando-se um pouco melhor no mundo em que vivemos.
Cansei de uma classe média que odeia a política pelo erro primário e cristão de confundir seres humanos com anjos, o que é uma receita para a decepção, pois é óbvio que homens não são anjos e, portanto, precisamos de política, este mal necessário. Cansei do mesmo bom-mocismo que divide o mundo de forma maniqueísta: o "Bem" está com a classe média, o "Mal" está com os políticos, aqueles estranhos seres corruptos que vieram de outro planeta e precisam ser exterminados.
Cansei também de achar que o Brasil é uma porcaria maior do que outros países (não é mais nem menos porcaria que EUA, Cuba, França, Canadá, Japão, Austrália, Espanha, Itália ou Suíça). O Brasil tem suas contradições (como qualquer país) e uma delas é ser uma força econômica com péssima distribuição de renda. Aqui a noção de poder legal (Weber) ainda é subversiva e o capitalismo é selvagem. E uma hora os pobres virão mesmo cobrar o que é deles.
Agora agüenta, classe média: a incompetência também é nossa e não só dos políticos. Agora agüenta, elite blindada e herdeira de nossa tradição autoritária: a má distribuição de renda é um problema coletivo; a indústria dos carros blindados e dos condomínios murados, uma solução individual (e individualista). Mas essa equação não fecha: não há soluções individuais para problemas coletivos.
Em suma: como advogado paulista não me sinto “representado” aqui pela OAB/SP (não foi com o meu aval que esta entidade uniu-se à “indignação” de um empresário como João Dória Junior, a quem apraz promover desfile de cachorros de madame em Campos de Jordão). Como cidadão, não vejo nada de “cívico” nesse movimento, orquestrado sabe-se lá com qual verdadeira finalidade. E se uma dessas finalidades for um movimento “fora Lula”, sou contra, assim como era contra o “fora FHC”, não por simpatia política, mas por convicção democrática.
Antes que me perguntem qual é, afinal, a solução para todos os problemas de nosso país, respondo o óbvio: não sei. Sei apenas que não existe mágica. Fiquemos, pois, com a política e façamos dela a nossa responsabilidade (e não apenas a responsabilidade dos “outros”, os políticos), conscientes de que no meio do caminho há pedras. Sempre haverá pedras no meio do caminho.
Hoje, portanto, não bato panelas nem faço um minuto de silêncio. Há exatos 20 anos, aliás, morria Drummond. Às 13h00 de hoje, em homenagem ao poeta, chutarei uma pedra na rua. Ao anoitecer, porém, saberei que “é a hora dos corvos, bicando em mim meu passado, meu futuro, meu degredo: desta hora, sim, tenho medo”.
__________________
* Guilherme Arruda Aranha, 35, advogado, mestre em Filosofia do Direito e do Estado pela PUC/SP e professor de Filosofia do Direito (PUC/SP e UNIFIEO), além de pertencer à classe média.

sábado, 18 de agosto de 2007

Acreditávamos que mudaríamos o mundo. À noite sonhávamos e durante o dia nós comíamos o sonho da padaria em frente.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

Soldados

Somos soldados de chumbo
Ouvimos as vozes
Andamos em fila
Obedecemos as ordens
Não sabemos para onde vamos
Não sabemos se estamos vivos
Somos soldados de chumbo
Servimos ao caos todos os dias
Jogamos o joguinho sujo
Somos soldados de plástico
Em uma guerra de mentira

1968

Música: Anarquia
Autor: Ronnie Von


Prepare tudo o que é seu
Veja se nada você esqueceu
Pois amanha vamos para rua fazer
Fazer uma tremenda anarquia
Pintar as ruas de alegria
Porque
Quem manda hoje somos nós mais ninguém
E não ligamos pra quem vai e quem vem atrapalhar
A quem nos queira atrapalhar
Pois amanhã vamos pra rua fazer
Fazer uma tremenda anarquia
Pintar as ruas de alegria
Porque
Quem manda hoje somos nós mais ninguém
E não ligamos pra quem vai nem quem vem atrapalhar
A quem nos queira atrapalhar
E assim nós iremos adiante
Iremos custe o que custar
Pois as ordens vêm de um alto falante
Que só nós não conseguimos escutar

As putas de amarante

Tudo corria bem na vida de Amarantes, ele era uma cara feliz como todos os outros garotos de sua idade.Gostava de jogar bola, gostava de conversar com os amigos, gostava de bebidas, mulheres, era uma cara popular e autor de diversas frases famosas.Aquele tipo de pessoa que os homens invejam e que as mulheres se apaixonam.Amarantes tinha uma personalidade diferente das demais pessoas, ele costumava sempre dizer:-Nunca vou me apaixonar, as mulheres são todas umas putas, putas pagas, é isso que elas são! E assim era a vida de Amarantes, escola, mulheres, futebol, viagens com amigos, conversas, cigarros, bebidas, noitadas... Mas sempre sem nenhum compromisso, o que Amarantes mais odiava na vida eram os compromissos, isso ele realmente odiava.Amarantes passou a vida toda fugindo de qualquer coisa que exigisse compromisso, ia mal na escola e só passava de ano porque os amigos ajudavam, não que ele fosse burro nem nada, o problema era o compromisso, sempre o compromisso.Seu pai por diversas já havia tentado lhe pagar cursos de inglês, informática, música e ele até que começava, por umas duas semanas ia todo o dia, mas depois relaxava e não ia nunca mais, seu pai ficava furioso e sempre falava que nunca mais pagaria nada para ele, e que ele iria passar a vida toda nessa vidinha que ele levava hoje.Mal sabia seu pai que isso teria sido melhor do que a futura opção de Amarantes.Pelo seu jeito descontraído e por nunca ter namorado, Amarantes colecionava mulheres apaixonadas que faziam tudo por ele, e que mesmo que ele não desse nenhuma atenção, eram extremamente fiéis, ele adorava isso.Ele adorava sair e ver aquele bando de mulheres apaixonadas, sempre ligando, sempre fazendo o que ele queria na hora que ele queria, ele dizia:-Olha só essas putas, todas minha putas! - mas em como todo harém existia uma em especial, uma mulher que mesmo que ele não admitisse era sua preferida, e assim Amarantes foi levando a vida, terminou o colégio, conheceu novas mulheres, novos amigos até que um dia, encontrou sua antiga "puta preferida" como ele mesmo dizia, correu para conversar com ela quando descobriu o que ele não considerava que fosse possível acontecer.Ela estava namorando.Isso ele não conseguia aceitar, como uma mulher poderia o abandonar? O Amarantes que lhe havia proporcionado tantos bons momentos! se bem que fazia um certo tempo que ele não à via, mas mesmo assim, tinha sido abandonado por sua preferida! Ele tentava, mas não conseguia entender porque, e também, porque aquilo doía tanto, afinal, ele nunca tinha sofrido de amor! Ele tentava sem sucesso pensar:-Dane-se ela não passa de uma puta! Mas seu coração ele não enganava , estava completamente perdido pelo ciúmes e por outros sentimentos que até então desconhecia totalmente.Ele finalmente engoliu seu ego, e foi conversar com sua preferida, em um último suspiro de esperança, mas não teve nenhum sucesso.A garota parecia amargurada por a ter ignorado durante anos , e então lhe disse aquelas dolorosas palavras:-Você já teve sua chance, sofri demais por você, agora chega, nunca mais!Então o mundo desabou para ele, não conseguia mais comer, não conseguia fazer mais nada, as outras garotas já não o atraiam mais, sua família ao perceber a angústia de Amarantes tentou ajudar de todas as formas, mas não adiantava, tudo que ele precisava estava fora de seu alcance! Ele só se sentia melhor quando dormia, quando dormia e sonhava com a preferida.Sonhava que estavam viajando, que estavam se beijando no parque, e tudo mais que ele sempre havia repudiado, até que finalmente tomou sua decisão!Numa bela manhã saiu de casa, pegou todo o dinheiro que tinha, comprou uma grande quantidade de tintas, panos e pedaços de madeiras e voltou para sua casa.Sua família estranhou bastante a atitude de seu filho, mas estava tão feliz que ele finalmente havia saído de casa que não quis lhe perguntar mais nada, então ele se trancou em seu quarto, fechou a janela com madeiras e panos, e começou a pintar.Sua maior, e mais bonita obra de arte e que também, viria a ser sua última.Ele pintou na parede do seu quarto um céu, o mais maravilhoso céu, o céu de um verão em uma praia deserta, cheia de estrelas e com a lua cheia mais bonita vista da terra.Um desenho que deixaria qualquer pessoa impressionada, uma verdadeira obra de arte.Foi então que ele dormiu e decidiu não acordar nunca mais, para poder sonhar a vida toda com seu amor, afinal, seus sonhos, eram imensamente melhores que sua vida real.E quando seu corpo se cansasse de dormir, e seus olhos abrissem sem seu controle, e olharia para aquele lindo céu, veria que ainda era noite e voltaria a sonhar com sua amada.
Texto do meu grande Amigo Danilo Aguiar

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

O trabalho mata em silêncio

O suicídio de alguns executivos da Renault, na França, chama atenção para um fenômeno oculto: milhares de mortes podem ser provocadas, a cada ano, por cânceres e neuroses claramente associadas aos ambientes a que são submetidos os assalariados
Provocar o suicídio de outrem é punido com três anos de prisão e 45 mil euros de multa, quando a provocação tiver sido seguida do suicídio ou de uma tentativa de suicídio (Código penal francês, artigo 223-13).
Triste recorde para a França, na liderança dos países nos quais o suicídio – especialmente entre os homens ativos – está crescendo continuamente, desde 1975. Foram 11 mil mortes por esta causa, em 2000, ‘‘ou seja, mais de um por hora’’, apontaram os sociólogos Christian Baudelot e Roger Establet. No livro, tão preciso quanto inquietante, afirmaram: ‘‘Em toda parte e como sempre, são contradições graves entre as exigências da vida social e o destino individual [1]”. Segundo dados recentes fornecidos pelo Instituto Nacional da Saúde e da Pesquisa Médica (Inserm, em francês), o número de mortes por suicídio estabilizou-se em cerca de 12 mil casos por ano.

Fonte: Diplomatique Brasil

Da barbárie e seus antídotos

Sociedade do espetáculo. Criado ainda na década de 1960, pelo sociólogo e filósofo francês Guy Debord, este conceito parece mais atual que nunca, em agosto de 2006. A ameaça que ele expressa – o advento de uma sociedade na qual o poder tornou-se intangível a ponto de reduzir os cidadãos à condição de espectadores – parece realizar-se no filme de horrores que se desenrola no Oriente Médio. Em contrapartida, Debord está vivo também na busca de novos meios para enfrentar a alienação e a indiferença. A multiplicação dos meios de comunicação alternativos (incluindo os blogs) permite, por exemplo, imaginar um mundo em que todos seremos produtores de informação, narrativas e interpretações. Na nova edição do Le Monde Diplomatique, quinze textos ajudam a compor, em profundidade, o mosaico de nossos dilemas.
Três artigos debatem os dramas provocados, no Oriente Médio, pela política expansionista israelense. No primeiro
deles, Alain Gresh destaca algo que passou despercebido na maior parte das análises. Nos Estados Unidos, os neoconservadores trataram o conflito como “a nossa guerra”. É como se, depois de ter profetizado o “choque de civilizações”, a direita norte-americana se empenhasse em provocá-lo, contando para isso com a “mão de gato” de Israel. A capacidade dos EUA para exercer hegemonia política declinou sensivelmente, após anos de unilateralismo e de uma aventura frustrante no Iraque. A pujança de sua economia e finanças repousa num déficit externo colossal, cuja sustentabilidade é muito duvidosa, a médio prazo. A guerra é, hoje, o único terreno em que a supremacia de Washington é incontestável. Os neocons, cujo objetivo explícito é assegurar “um novo século norte-americano”, teriam em perspectiva alcançar esta meta nos campos de batalha?
Os outros artigos sobre Israel
1 2 descrevem a tentativa de mudar o mapa do país, anexando territórios palestinos na Cisjordânia, ampliando as colônias de ocupação e consolidando a “conquista” por meio do “muro de Sharon”. Surpresa: os textos mostram que a maior parte dos ocupantes não é atraída por argumentos ideológicos. São os pobres de Israel. O desmonte dos sistemas de bem-estar social, nos anos 80 e 90, roubou-lhes a possibilidade de uma vida digna. São agora empurrados para as áreas de ocupação. O Estado oferece-lhes imóveis subsidiados. Grandes empresas (inclusive nos setores de alta tecnologia) aproveitam-se de sua fragilidade e transferem parte de sua produção para as colônias, onde podem exigir trabalho intenso, e pagar salários reduzidos.
Da comunicação de massa às redes de solidariedade
Como você enxerga o surgimento da Wikipedia, a multiplicação dos blogs ou a audiência espantosa do YouTube? Nova forma de divertimento adolescente? O filósofo da Comunicação Manuel Castells pensa de outro modo. Para ele, podemos estar entrando numa
Era da Intercomunicação, na qual estaria rompido um dos mecanismos mais usados para o controle das mentes durante toda a modernidade. Trata-se do poder de ocultar – algo muito mais forte, pensa Castells, que a capacidade de distorcer os fatos. Ao romper o oligopólio das grandes empresas de mídia, ao permitir que cada ser humano deixe a condição de mero consumidor e se transforme em produtor de conteúdos, escreve o filósofo, a internet pode neutralizar este poder.
Não é à toa, prossegue ele, que o movimento altermundialista está se apropriando rapidamente de recursos como os blogs, as mensagens via celular (SMSs), o Skype. Ferramentas como o RSS permitem conectar os blogs uns aos outros, formando redes que atuam "não só na organização, mas também no debate e intervenção". Já há, aliás, precedente de fatos políticos relevantes produzidos com auxílio das novas tecnologias. Em 2004, o então primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar, perdeu surpreendentemente as eleições e o mandato, ao ver desmascarada, por mensagens de SMS, sua tentativa (e a da mídia tradicional) de atribuir ao ETA os atentados contra estações de trem de Madri. Faltará algo semelhante ao México? Lá, argumenta nosso
editorial de agosto, assinado por Ignácio Ramonet, produziu-se, nas últimas eleições presidenciais, fraude em larga escala contra Manuel Lopez Obrador.
Mais três textos, na edição de agosto, debatem alternativas para um mundo em que a lógica dos direitos predomine sobre a da mercadoria. O jornalista colombiano Henando Calvo Ospina
descreve a atuação internacional, nos últimos vinte anos, da medicina cubana. Ao oferecer tratamento gratuito de excelência, a milhares de pacientes em todo o mundo, ela demonstrou que é viável garantir a todos o direito aos bens e serviços necessários para uma vida digna. O italiano Carlo Petrini explica as bases de um movimento pouco conhecido no Brasil: o Slow Food, que pretende oferecer, como contraponto à alimentação industrializada e à agricultura produtivista, o respeito às culturas alimentares e o deleite da gastronomia – entendida como "tudo aquilo que é relativo ao homem, enquanto ser que se nutre". Bernard Cassen, diretor-geral do jornal, reporta a experiência de Saint-Camille, uma comunidade de 446 habitantes no Canadá, que enfrentou o risco de extinção graças a espírito comunitário, uma instituição financeira alternativa e coragem para usar as novas tecnologias em favor de todos.
Do Sul exótico ao real
Há décadas, uma das marcas editoriais do Le Monde Diplomatique é o esforço para produzir uma visão de mundo não-centrada nas nações do Norte – e, ao mesmo tempo, para des-folclorizar o Sul. A edição de agosto traz
reportagem sobre Burkina Faso, um dos três países mais pobres (segundo o critério IDH) do mundo. Lá, graças a esforços coordenados de movimentos sociais, ONGs e autoridades, tem havido vitórias notáveis contra a mutilação sexual feminina – um costume praticado há séculos e atribuído erroneamente ao islamismo. Em parte, os êxitos agora alcançados são ecos do esforço de Thomas Sankara, presidente assassinado em 1987 e visto hoje como inspiração pela juventude que vislumbra a possibilidade de outra África
O Sul é, também, alvo de um fenômeno que ganhou há alguns anos dimensão global: é o turismo sexual de massa, que se espalha por países tão díspares entre si como Brasil, Tailândia, Goa, Índia, Jamaica, Marrocos, Senegal, Cuba e México. Nosso
texto observa: vivemos num mundo em que novas condições de mobilidade facilitam o contato com outras culturas e geografias. No entanto, os mesmos obstáculos que nos impedem de desfrutar integralmente a condição de ser humano nos levam a buscar, em qualquer parte, apenas os prazeres superficiais.
Cinema, literatura, filosofia
Parece haver, hoje, em qualquer parte, uma aproximação entre os mundos da arte e da transformação social. Na maioria dos países, a política institucional torna-se um espaço tão opaco, e tão infecundo de mudanças, que a busca de saídas associa-se, de várias maneiras, à (re)invenção da realidade. Le Monde Diplomatique destaca, em agosto, três grandes per sonagens do mundo da cultura. O escritor e ensaísta marroquino Tahar bem Jelloun imagina, num
conto inédito, o que será dos idiomas (e das culturas) européias quando o último imigrante for, enfim, expulso. O escritor inglês John Berger resenha La Rabbia [A Raiva], documentário em que Pier Paolo Pasolini constrói uma visão singular sobre o século 20, os riscos de eticídio e o direito ao sonho.
Eis que regressamos a Guy Debord. Sua obra completa acaba de ser lançada, no francês original. Ao ressaltar o caráter “irrecuperável” (pelo capitalismo) das idéias que a orientam, o crítico Guy Scarpetta acaba expondo a
outra face da moeda: o Debord cuja acidez era movida, sobretudo, pela certeza de que o ser humano é capaz de inventar incessantemente a própria vida; e que qualquer situação que o prive de tal direito é simplesmente inaceitável.
A moda está fora de moda
A NOSSA ESCROTA MÍDIA VIROU APENAS MAIS UM PRODUTO A SERVIÇO DA BURGUESIA, MALDITOS NEOLIBERALISTAS QUE ESTUPRAM A NOSSA CULTURA E ANIQUILA O POVO CONSTRUINDO DESIGUALDADES SOCIAIS. ABRA OS OLHOS
Tenho pena desses adolescentes, cheio de espinhas no rosto, que ficam trancados nas academias de musculação cinco horas por dia, tentando parecer com seus ídolos.

Solidão

A solidão me mata. Sei que nada parece mudar, talvez seja melhor assim. Só encontrar a paz na tristeza. Perco-me todos os dias, morro e ressuscito todas as noites. O final é um só o caminho é que é diferente.

sábado, 4 de agosto de 2007

Dados Curiosos

Texto de Frei Beto
No Brasil, reduzir o analfabetismo entre mulheres em apenas 1 por cento equivale a evitar 415 mortes por ano. Aumentar em 1 por cento a rede de esgoto significa evitar 216 mortes/ano. Se o número de casas que recebem água tratada aumenta 1 por cento, 108 mortes são evitadas/ano. E, se o número de leitos nos hospitais aumenta 1 por cento, 27 mortes são evitadas/ano. Os dados são do estudo de Mário Mendonça e Ronaldo Motta, Saúde e Saneamento no Brasil, Ipea, 2005. Duas em cada cinco pessoas no mundo vivem com menos de 6 reais por dia. Não têm acesso ao saneamento básico 2,4 bilhões de pessoas. Metade das infecções por HIV ocorre entre jovens.
Neste ano de 2007, pela primeira vez, há mais habitantes nas zonas urbanas que nas rurais. Em 2015, teremos 22 megacidades com mais de 10 milhões de habitantes cada, das quais dezesseis em países pobres. Em 2030, 60 por cento da população viverá em centros urbanos, o que equivale a 5 bilhões de pessoas. Em 2050, o planeta terá 8,9 bilhões de habitantes (fonte: Relatório sobre a Situação da População Mundial, ONU).
Nos EUA são gastos, anualmente, cerca de 60 bilhões de dólares em produtos de beleza. Na Europa, 50 bilhões de dólares/ano no consumo de sorvetes.
Tome em mãos dez moedas. Cole uma etiqueta em cada uma, numerando-as de 1 a 10. Ponha-as no bolso. Agora tente pegar a de número 1. Você tem uma chance em dez. Tente pegar a 1 e, em seguida, a 2. Sua chance é uma em 100. Se quiser pegar a 1, a 2 e a 3, em seqüência, a chance cai para 1.000. E você tem uma chance em 10 bilhões de pegá-las todas em seqüência. Segundo Cressy Morrison, que presidiu a Academia de Ciências de Nova York, são necessárias as mesmas condições para a vida na Terra ter acontecido por acaso. Maior “milagre”, caro(a) leitor(a), é você e eu estarmos aqui.
Na vida dos políticos, os números também são intrigantes. Lula é marcado pelo 13. A mãe vendeu a terra em que morava por 13 contos de réis. A viagem de pau-de-arara de Garanhuns a São Paulo, em 1952, levou 13 dias. O número do PT é 13. Ele foi eleito presidente no 113º ano da República.
Fidel nasceu em 1926. Em 13 (metade de 26) de agosto. Tinha 26 anos quando iniciou a revolução em Cuba, com o assalto ao quartel Moncada, em Santiago de Cuba. Isso ocorreu no dia 26 de julho de 1953.
Na natureza, a decomposição do papel leva de 3 a 6 meses; dos tecidos, de 6 meses a 1 ano; dos chicletes, 5 anos; da madeira pintada, 13 anos; dos plásticos, 500 anos; do vidro, 1 milhão de anos; da borracha, tempo indeterminado.Uma tonelada de aparas pode substituir quase 4 metros cúbicos de madeira. A reciclagem evita a morte de cerca de 30 árvores.
Para fabricar 1 tonelada de papel no processo tradicional são necessários 100.000 litros de água. Se o papel é reciclado, bastam 2.000 litros. Caro(a) leitor(a), elenquei esses dados porque talvez um deles seja do seu interesse. Se não for, azar nosso.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

Os homens morrem e não são felizes.
O ser humano deve procurar a paz sempre, mas não espere ela aparecer somente nos presentes de ano novo.

3 dias de paz e amor

O Woodstock foi um dos maiores festivais de música realizado no Mundo. O evento foi em uma fazenda em Bethel, Nova York durante os dias 15, 16 e 17 de Agosto de 1969. Bandas como The Who, Hendrix, Janes Joplin, Tem Years After, Jefferson Airplane, Joe Cocker, dividiram o palco do lugar em que muitos jovens chamaram de ter sido o Paraíso aqui na terra, e que se o céu existe ele fez parte de Woodstock, isso prova que já existiram coisas boas entre os seres humanos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Os Cem Passos (Cento Pass – Itália/2001),

Conta a história real da máfia italiana. Baseado em fatos verídicos, traz como personagem principal Peppino Impastato, um rapaz que, apesar de pertencer a uma família de mafiosos, é influenciado por um pintor comunista e se filia ao partido esquerdista. Desesperado, seu pai faz de tudo para integrá-lo ao mundo do crime, mas Peppino o desafia e mostra todo seu desprezo a essa realidade. Ele, inclusive, funda uma estação de rádio rebelde e distribui mensagens contra o crime organizado, estimulando muitos outros jovens.
A história se passa em Cinisi, uma minúscula cidade siciliana que, nos anos 60, era ponto de referência no tráfico de drogas. Lá, além de Peppino, vive o chefão Tano Badalamenti, precisamente há cem passos de sua casa. O elenco é formado por Luigi Lo Cascio, Luigi Maria Burruano, Lucia Sardo, Paolo Briguglia, Tony Sperandeo, Andrea Tidona, Claudio Gioè.

Passos

Vejo você dizendo adeus
Todas as manhãs
Todas as noites
E você deve se perguntar porque?
E você deve se perguntar porque?
A noite esta clara
Um milhão de estrelas no céu
Estou procurando um novo lugar
Eu quero voar agora
Estamos caindo
Dançamos juntos
Não vejo saída
Sonhos e devaneios
Pensamentos que castigam
Vagando pela imensidão
Ouço o barulho do seu sapato
Partindo de vez
Vejo sua boca dizendo Adeus
Seus passos descendo as escadas

Descanse em paz, Bahia!

Incluo-me entre os baianos e brasileiros em geral que, conhecendo o papel antidemocrático e truculento desempenhado pelo político e empresário Antônio Carlos Magalhães na Bahia e no plano nacional, antes, durante e depois do golpe militar de 1964, não lamentam sua morte. Quanto mais rápido o país se desvencilhar de políticos como ele, mais fortalecidas ficarão as liberdades democráticas de seu povo, arduamente reconquistadas em 1984.Nas várias vezes em que ocupou a prefeitura de Salvador e o governo da Bahia, nomeado ou eleito, Antônio Carlos Magalhães realizou uma administração paradigmática dos tempos do regime ditatorial tecnocrático-militar: favoreceu os interesses do capital nacional ou estrangeiro em detrimento dos interesses dos trabalhadores, sufocados por elevadas taxas de desemprego e subemprego e por deprimidos salários; estimulou a modernização de alguns setores da agricultura, mas também a concentração da propriedade territorial; ergueu obras vistosas nos centros urbanos, principalmente de Salvador, relegando as periferias ao abandono e os serviços públicos de saúde, educação e transporte coletivo à degradação; cortejou alguns setores de intelectuais e artistas, mas cerceou, quanto pôde, a participação popular crítica e independente na vida política; e, posando de generoso e benfeitor, não hesitou em cometer as arbitrariedades mais mesquinhas contra seus adversários. O denominado “carlismo” é uma criação típica da atmosfera rarefeita da época ditatorial, preservado, entre outros fatores, pelo apoio da Rede Globo. É um estilo de dominação oligárquica e um tipo de cultura política nefastos, que precisam ser erradicados completamente do solo baiano.Pessoalmente, guardo a imagem do então deputado federal Antônio Carlos Magalhães celebrando a vitória dos golpistas em pronunciamento raivoso e vingativo na TV Itapoã na noite de 1º de abril de 1964, contra a cena de fundo da sede da UNE em chamas. Eu era, então, vice-presidente da UNE. Vindo de Feira de Santana, onde um grupo de democratas mais combativos tentou organizar uma resistência improvisada e malograda ao golpe, e já obrigado a meu primeiro período de vida e atuação clandestinas, assisti em Salvador a essa transmissão e a conservo na memória como uma representação simbólica do golpe que, entre outros resultados negativos, abriu caminho para a ascensão política e empresarial de Antônio Carlos Magalhães, até então uma figura de segundo plano na Bahia e no Brasil.