domingo, 30 de dezembro de 2007

Apenas mais um dia


A lua estava cheia e o céu carregado de estrelas. O calor insuportável. Acordei por volta das dez, cheguei as oito do serviço. Entro as duas. O horário é bom. O ruim é ter que trabalhar para os outros. Queria ter um pedaço de terra com gados e alguns porcos para o almoço. Sei que nunca conseguiria isso. Decidi caminhar até a praia. Parei no primeiro boteco aberto, entrei e pedi uma cerveja. Na fila do banheiro duas gostosas arrumavam o cabelo e passavam batom. Fui até o banheiro e depois sai. Continuei andando beira mar. Ascendi um Belmonte. Comecei pensar em Julia, tínhamos brigado feio alguns dias atrás. Parecia ser o fim de tudo. Encontrei um pessoal na praia, eram pescadores bebendo e comendo peixe. Olhei para o lado, tinha um barco parado cheio de camarão e lula. Falei com eles e ficamos bebendo cachaça, cerveja e comendo peixe. Disseram-me que a pesca tinha sido farta, uma dádiva de Deus todo poderoso e Iemanjá a rainha dos mares. Tinha um pescador que seu nome era Ivan, estava com um violão guardado numa capa preta. Disse que tinha ganhando há pouco tempo e tocava apenas duas canções. Pedi para tocar uma música e de cara mandei uma dos Beatles em seguida uma do Raul Seixas. Eles gostaram muito. Sai de lá bêbado uma hora da manhã. Fui andando. Consegui chegar em casa. Fui direto pro banheiro. Entrei no chuveiro frio, passou a bebedeira. Comecei a massagear meu pau, ficou ereto. Bati uma punheta pra mulher que trabalha no mercado da esquina. Imaginei eu comendo aquele rabo enorme de quatro, puxando seu cabelo até o chão. Gozei bem rápido, fiquei bom na hora. Liguei o rádio e dormi feito pedra. Acordei com cede, tomei um litro de água. Lavei o rosto, escovei os dentes e preparei o café. O sol estava quente como fogo. Acordei fiz a barba. Coloquei minha roupa. Arrumei o cabelo e fui para o ponto. Estava atrasado. Ao meu lado esquerdo tinha uma mulher linda de cabelo curto com um longo vestido azul claro que mostrava bem o volume da sua bunda. Magra, loira, alta, olhos azuis e ainda por cima bunduda. O que mais um homem poderia querer nessa vida? Por sorte entramos no mesmo ônibus, que foi lotando aos poucos. Não conseguia parar de olhar para suas coxas. Cheguei ao seu lado, perguntei seu nome, e se tinha estudado em alguma escola próxima ao bairro. Ela se chamava Jéssica. Continuamos a conversa, mas não me deu muita bola. Nunca mais a vi e não me importei. Cheguei vinte e cinco minutos atrasados, que seriam descontados do meu pequeno salário estipulado mínimo pelo governo. Trabalhei duro e fui para casa descansar. Tomei uma ducha fria, peguei duas cervejas na geladeira, aproveitei para esquentar um pedaço de carne. Estava exausto e não conseguia pregar os olhos. Levantei, busquei o toca fitas, coloquei uma música do Jimi Hendrix. Capotei. No fundo sabia que amanhã e depois e depois seria apenas mais um dia.

Alex Medeiros

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Que o tempo passe devagar

Acordei com vontade de sair correndo pela chuva, queria andar de bicicleta e jogar bola sem camiseta. Costumava fazer isso na infância. Hoje o que restou? Apenas boas lembranças. Olho meu rosto no espelho, vejo que estou envelhecendo, vejo rugas por todos os lados, minha barba pula para fora do rosto indicando um grito de liberdade, meus cabelos brancos crescem e meus ossos doem no frio. Quando somos jovens queremos acelerar o processo natural das coisas, somos impacientes, queremos crescer o mais rápido possível, somos egoístas, sempre em busca do prazer imediato. Mas quando você sente estar perto do fim, o que mais deseja é voltar ao tempo, ouvir aquelas canções que tocavam nas vitrolas, beijar as garotas mais belas da cidade ou apenas ficar na cama lendo histórias de terror. Quando você envelhece o que você mais deseja, é que o tempo pare. Quando se está morrendo, passa um filme pela sua cabeça e no final você se convence que valeu estar presente a cada segundo vivido.

ALEX MEDEIROS

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

A estrada da vida.

Lembro como se fosse hoje. Éramos quatro amigos, todos com dezesseis, insanos, descobrindo a vida e pronto para tudo. Morávamos, estudávamos na mesma escola e jogávamos futebol nas ruas do bairro. Depois de alguns meses, descobri que um de nossos amigos estava doente. Passou um tempo, ele veio a falecer. Lembro que nesse dia, compramos garrafas de cerveja e jogamos no seu túmulo, lembrando das nossas bebedeiras e filosofias de bar. Morreu virgem e ficamos chocados com a notícia, não queríamos que isso acontecesse com ninguém. Fui para a casa dormir no meu quarto. Passava noites em claro lendo livros de terror, imaginando como seria minha primeira vez, estava muito ansioso. O sol já estava lá fora sorrindo, quando minha mãe me acordou dizendo que tinham uns garotos esperando na sala. Levantei, meti a cueca e pedi para eles entrarem. Ficamos pensando sobre o fato, decidimos tomar uma atitude, já que as garotas do colégio não queriam transar com caras inexperientes. Eu tinha alguns anúncios de prostíbulos que menores de idade podia entrar. Sei porque um primo meu havia me contado, tinha a mesma idade que nós. O problema é que o lugar era longe da cidade, precisaríamos de um transporte. Mostrei os anúncios, todos concordaram em ir. Um deles teve a idéia de pegar umas motos que ficavam na oficina do tio Zezinho, era apenas por algumas horas. Planejamos tudo, falamos aos nossos pais que íamos acampar e pela noite, voltaríamos pra casa. Meu coroa me deu dinheiro e nos despedimos. Pegamos as motos sem ninguém perceber, uma para cada, então partimos. Era um dia comum, a rodovia estava vazia e tranqüila. Paramos numa praça para tomarmos algumas cervejas. Observamos algumas caipiras, pensamos ficar por ali mesmo, mas seguimos viagem. Chegamos na cidade das putas, elas ficavam na porta seminuas com suas calcinhas vermelhas ou brancas, eram anjos que caíram do céu. Fomos até uma casa que chamava o Templo do Amor. Entramos e três gostosas vieram nos atender. Fiquei um pouco nervoso. Tinha cinqüenta reais no bolso. A mulher disse que eram apenas trinta reais. Ainda sobrava-me vinte para as cervejas e para um cachorro quente lá fora. Então sentamos todos na mesma mesa. A música do Raul Seixas fritava na vitrola velha. Pedimos seis canecos de chope. Uma puta toda de branco disse que só tinha apenas um quarto, e que íamos todos de uma vez, ou cada um esperava a sua. Então eu fui o primeiro. A puta era gostosa. Entramos no quarto era grande a luz do teto vermelha fiquei ofuscado e com muita vontade de enrabar aquela mulher. Fui ao banheiro lavar o rosto estava muito quente no local. Sai ela estava com uma calcinha bem pequena. Fiquei de pau duro na hora. Botei nela de quatro e mandei ver. Passou vinte minutos, já tinha ido duas vezes. Estava morto, suando feito porco. Sai, fui até a mesa. Sentia-me a mistura do Incrível Hulk com o Super Man, imaculado por sentir-me bem de verdade. Ascendi um cigarro deitei na poltrona, pedi uma boa cerveja holandesa. Meu amigo de óculos foi pro quarto com uma japonesa alta e magra. Ficamos eu, a puta e o gordo. Ele estava pálido, esquisitão. Foi ao banheiro, quando voltou disse que tinha tomado um êxtase e tinha misturado muita bebida. Ficou um silêncio, quando o gordo do nada solta a maior gorfada que já vi na vida. Não parava de vomitar, lavando o chão do estabelecimento. A puta ficou toda suja eu não conseguia parar de rir. Os jagunços não acreditavam na cena começaram olhar feio, o cara ficou puto e disse que éramos irresponsáveis. Paguei a puta pedi desculpas Eles ficaram olhando para nossas motos, graças a Deus conseguimos sair às pressas. Passou algum tempo e o garoto de óculos, esqueceu sua carteira com todos os documentos, cartão de crédito e dinheiro. Não podíamos voltar si não sairia uma enorme confusão. Fomos até o banco mais próximo, sacamos cinqüenta reais cada para colocarmos trinta de gasolina e vinte para comermos e enchermos a cara. Caminhamos até um bar de esquina, cheio de caipiras com suas calças justas, blusa branca e cabelo preso. Ficamos perto do balcão e pedimos três cervejas. Na segunda começamos a rir, falando sobre o incidente ocorrido. Pegamos a rodovia sentido centro, voltamos para casa com uma história boa pra contar.
Por: Alex Medeiros

segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Uma noite um tanto quanto confusa.

Uma noite um tanto quanto confusa.
Por: Alex Medeiros


Finalmente tinha chegado sexta-feira. A semana foi cheia, trabalhei feito um cão. Sai do serviço as seis. Parei no primeiro boteco que encontrei na esquina. Fiquei perto do balcão e pedi uma cerveja. Ao meu lado um velho mendigo sem dente, fedendo pra burro me pediu uns trocados para tomar uma pinga. Não dei o dinheiro, pedi para o capitão descer uma branquinha para o sujeito. Estava pagando quando o velho foi embora me agradecendo. Ele estava certo em tomar uma, porque encarar a vida naquelas condições não dava, alias já é difícil o ser humano agüentar viver de cara limpa. Pedi outra cerveja, essa estava gelada e trincando os dentes. Numa mesa ao lado perto do balcão apareceram duas morenas e uma loira, bonitas e jovens, a loira tinha um rabo lindo, que cabia direitinho na sua calça branca, dava até para ver a calcinha preta marcando sua pele macia. Ascendi um cigarro, pedi outra cerveja e fiquei parado observando aquelas garotas. Do outro lado havia uma mesa de sinuca, dois rapazes e duas moças gostosas jogando, pena que estavam acompanhadas. Liguei em casa para avisar minha mãe que eu ia chegar tarde. Paguei as cervejas, comprei um chiclete e fui até a parada do ônibus. Peguei o primeiro, sentido centro. Passei na casa do Rafa para fumar um, depois fomos tomar cerveja na padaria do seu Manoel. O Rafa foi para casa, tinha que acordar ás seis em pleno sábado. Subemprego é uma merda e eu sei muito bem o que é isso. Peguei o metrô sentido Avenida Paulista. Desci na estação Consolação e caminhei até a Rua Augusta. Milhares de mulheres lindas espalhadas nas esquinas esperando ganhar seu pão de cada dia. Tinha um boteco tosco e velho do outro lado da rua, era legal ir lá. Assistíamos aos jogos de futebol no domingo chuvoso. Fui até lá e pedi uma cerveja, enquanto as prostitutas lindas, rebolavam seus rabos apertados em seus vestidos justos. Encontrei um rapaz que morava perto de casa, ficamos conversando, ele pediu outra cerveja, ficamos falando da nossa ridícula seleção e sobre política. Depois que o sujeito foi embora pedi um conhaque e decidi entrar numa balada só para não dormir nos bares e acabar sempre ouvindo as fantásticas histórias dos velhos bêbados boêmios. Cheguei na casa à fila era gigantesca para entrar. Umas garotinhas estavam esperando para entrar na casa, tinha uma que era bonita, branca, cabelo vermelho, olhos azuis, magra e alta, combinação perfeita. Pedi o isqueiro a ela que me deu na hora, seu perfume cheirava bem. Entrei fui logo para pista ouvir um som, já estava cheio o negócio, várias garotas querendo farra. A noite vai ser longa pensei. Fui ao banheiro, já separando as notas que eu ia usar para pegar uns dois bilú. No caminho encontrei o diller, peguei e fui direto para o banheiro sem dar bola para as garotas encostadas na parede, esperando serem devoradas. A Letícia era pura, branca como a neve, a raspa do chifre do capeta, nada de mistura. Meu coração começou a disparar e meus dentes a rangerem feito uma casa de madeira velha. Parei no balcão pedi uma cerveja vi a garota na fila ao meu lado pedindo um san remmy. Perguntei seu nome e se ela costumava sair na noite. Disse que sim, achei a meio depressiva, ficou um pouco, continuamos a conversar, quando ela me disse que estava esperando sua namorada. Fiquei pasmo, como um anjo daquele poderia gostar de dividir o sabonete com outras garotas? Foi embora sem deixar seu telefone. Entrei no banheiro, aproveitei que a fila estava bem curta e estiquei uma enorme carreira, meu nariz parecia que estava coberto de neve. Sai pego e fui para a pista dançar. Ao meu redor milhares de garotinhas prontas para tudo. O inferno na terra é um monte de jovens lindas e tentadoras, querendo sangue as três da manhã. Fui ao bar e pedi uma coca cola, tomei um ar na sacada, quando vejo uns camaradas sentados no sofá loucos de erva. Decidimos ir para o babilônia. Chegando lá pedimos duas cervejas, do outro lado vários traficantes. Pegamos dois papeis e fomos ao banheiro um de cada vez. Ficamos falando sobre a vida e filmes. No mesmo tempo passavam várias putas de fio dental, maravilhosas em pleno luar. Estávamos chapados. Tinha caído o vale justo naquele dia. Fomos a um puteiro. Eu estava bem loco indo ao banheiro toda hora. Tínhamos apenas dez reais cada um só para a entrada e mais duas cervejas. Começamos a sarrar as putas, passar a mão em tudo quanto é lugar. O segurança da porta começou a olhar feio para nós. E a gente curtindo numa boa. Quando olhei para o lado dois seguranças vieram até nós. Pediu para irmos embora. Expliquei para ele que tinhamos pagado a entrada e ainda tinha duas cervejas e quando terminássemos, partiríamos. Ele disse que não, tínhamos que ir embora. Ai eu indaguei a ele se era porque estávamos nos divertindo? Ele ficou furioso disse que tínhamos que sair e ponto final. Olhei para o lado, vários caras passando a mão nas putas, então falei pra ele que todo mundo tava passando a mão e porque a gente não podia passar? O bicho ficou furioso, veio para cima, com uma garrafa, por Deus conseguimos sair correndo pelos fundos sobre uma chuva de garrafas, uma delas pegou no meu ombro e fez um corte profundo. Tive que ir ao pronto socorro tomar cinco pontos. Depois de tudo isso, peguei o ônibus de volta para casa as nove da manhã. Aprendi uma lição aquele dia, fiquei umas duas semanas sem sair de casa, não agüentava mais assistir filmes bobocas, então chegou outra sexta-feira...