A lua estava cheia e o céu carregado de estrelas. O calor insuportável. Acordei por volta das dez, cheguei as oito do serviço. Entro as duas. O horário é bom. O ruim é ter que trabalhar para os outros. Queria ter um pedaço de terra com gados e alguns porcos para o almoço. Sei que nunca conseguiria isso. Decidi caminhar até a praia. Parei no primeiro boteco aberto, entrei e pedi uma cerveja. Na fila do banheiro duas gostosas arrumavam o cabelo e passavam batom. Fui até o banheiro e depois sai. Continuei andando beira mar. Ascendi um Belmonte. Comecei pensar em Julia, tínhamos brigado feio alguns dias atrás. Parecia ser o fim de tudo. Encontrei um pessoal na praia, eram pescadores bebendo e comendo peixe. Olhei para o lado, tinha um barco parado cheio de camarão e lula. Falei com eles e ficamos bebendo cachaça, cerveja e comendo peixe. Disseram-me que a pesca tinha sido farta, uma dádiva de Deus todo poderoso e Iemanjá a rainha dos mares. Tinha um pescador que seu nome era Ivan, estava com um violão guardado numa capa preta. Disse que tinha ganhando há pouco tempo e tocava apenas duas canções. Pedi para tocar uma música e de cara mandei uma dos Beatles em seguida uma do Raul Seixas. Eles gostaram muito. Sai de lá bêbado uma hora da manhã. Fui andando. Consegui chegar em casa. Fui direto pro banheiro. Entrei no chuveiro frio, passou a bebedeira. Comecei a massagear meu pau, ficou ereto. Bati uma punheta pra mulher que trabalha no mercado da esquina. Imaginei eu comendo aquele rabo enorme de quatro, puxando seu cabelo até o chão. Gozei bem rápido, fiquei bom na hora. Liguei o rádio e dormi feito pedra. Acordei com cede, tomei um litro de água. Lavei o rosto, escovei os dentes e preparei o café. O sol estava quente como fogo. Acordei fiz a barba. Coloquei minha roupa. Arrumei o cabelo e fui para o ponto. Estava atrasado. Ao meu lado esquerdo tinha uma mulher linda de cabelo curto com um longo vestido azul claro que mostrava bem o volume da sua bunda. Magra, loira, alta, olhos azuis e ainda por cima bunduda. O que mais um homem poderia querer nessa vida? Por sorte entramos no mesmo ônibus, que foi lotando aos poucos. Não conseguia parar de olhar para suas coxas. Cheguei ao seu lado, perguntei seu nome, e se tinha estudado em alguma escola próxima ao bairro. Ela se chamava Jéssica. Continuamos a conversa, mas não me deu muita bola. Nunca mais a vi e não me importei. Cheguei vinte e cinco minutos atrasados, que seriam descontados do meu pequeno salário estipulado mínimo pelo governo. Trabalhei duro e fui para casa descansar. Tomei uma ducha fria, peguei duas cervejas na geladeira, aproveitei para esquentar um pedaço de carne. Estava exausto e não conseguia pregar os olhos. Levantei, busquei o toca fitas, coloquei uma música do Jimi Hendrix. Capotei. No fundo sabia que amanhã e depois e depois seria apenas mais um dia.
Alex Medeiros