Lembro como se fosse hoje. Éramos quatro amigos, todos com dezesseis, insanos, descobrindo a vida e pronto para tudo. Morávamos, estudávamos na mesma escola e jogávamos futebol nas ruas do bairro. Depois de alguns meses, descobri que um de nossos amigos estava doente. Passou um tempo, ele veio a falecer. Lembro que nesse dia, compramos garrafas de cerveja e jogamos no seu túmulo, lembrando das nossas bebedeiras e filosofias de bar. Morreu virgem e ficamos chocados com a notícia, não queríamos que isso acontecesse com ninguém. Fui para a casa dormir no meu quarto. Passava noites em claro lendo livros de terror, imaginando como seria minha primeira vez, estava muito ansioso. O sol já estava lá fora sorrindo, quando minha mãe me acordou dizendo que tinham uns garotos esperando na sala. Levantei, meti a cueca e pedi para eles entrarem. Ficamos pensando sobre o fato, decidimos tomar uma atitude, já que as garotas do colégio não queriam transar com caras inexperientes. Eu tinha alguns anúncios de prostíbulos que menores de idade podia entrar. Sei porque um primo meu havia me contado, tinha a mesma idade que nós. O problema é que o lugar era longe da cidade, precisaríamos de um transporte. Mostrei os anúncios, todos concordaram em ir. Um deles teve a idéia de pegar umas motos que ficavam na oficina do tio Zezinho, era apenas por algumas horas. Planejamos tudo, falamos aos nossos pais que íamos acampar e pela noite, voltaríamos pra casa. Meu coroa me deu dinheiro e nos despedimos. Pegamos as motos sem ninguém perceber, uma para cada, então partimos. Era um dia comum, a rodovia estava vazia e tranqüila. Paramos numa praça para tomarmos algumas cervejas. Observamos algumas caipiras, pensamos ficar por ali mesmo, mas seguimos viagem. Chegamos na cidade das putas, elas ficavam na porta seminuas com suas calcinhas vermelhas ou brancas, eram anjos que caíram do céu. Fomos até uma casa que chamava o Templo do Amor. Entramos e três gostosas vieram nos atender. Fiquei um pouco nervoso. Tinha cinqüenta reais no bolso. A mulher disse que eram apenas trinta reais. Ainda sobrava-me vinte para as cervejas e para um cachorro quente lá fora. Então sentamos todos na mesma mesa. A música do Raul Seixas fritava na vitrola velha. Pedimos seis canecos de chope. Uma puta toda de branco disse que só tinha apenas um quarto, e que íamos todos de uma vez, ou cada um esperava a sua. Então eu fui o primeiro. A puta era gostosa. Entramos no quarto era grande a luz do teto vermelha fiquei ofuscado e com muita vontade de enrabar aquela mulher. Fui ao banheiro lavar o rosto estava muito quente no local. Sai ela estava com uma calcinha bem pequena. Fiquei de pau duro na hora. Botei nela de quatro e mandei ver. Passou vinte minutos, já tinha ido duas vezes. Estava morto, suando feito porco. Sai, fui até a mesa. Sentia-me a mistura do Incrível Hulk com o Super Man, imaculado por sentir-me bem de verdade. Ascendi um cigarro deitei na poltrona, pedi uma boa cerveja holandesa. Meu amigo de óculos foi pro quarto com uma japonesa alta e magra. Ficamos eu, a puta e o gordo. Ele estava pálido, esquisitão. Foi ao banheiro, quando voltou disse que tinha tomado um êxtase e tinha misturado muita bebida. Ficou um silêncio, quando o gordo do nada solta a maior gorfada que já vi na vida. Não parava de vomitar, lavando o chão do estabelecimento. A puta ficou toda suja eu não conseguia parar de rir. Os jagunços não acreditavam na cena começaram olhar feio, o cara ficou puto e disse que éramos irresponsáveis. Paguei a puta pedi desculpas Eles ficaram olhando para nossas motos, graças a Deus conseguimos sair às pressas. Passou algum tempo e o garoto de óculos, esqueceu sua carteira com todos os documentos, cartão de crédito e dinheiro. Não podíamos voltar si não sairia uma enorme confusão. Fomos até o banco mais próximo, sacamos cinqüenta reais cada para colocarmos trinta de gasolina e vinte para comermos e enchermos a cara. Caminhamos até um bar de esquina, cheio de caipiras com suas calças justas, blusa branca e cabelo preso. Ficamos perto do balcão e pedimos três cervejas. Na segunda começamos a rir, falando sobre o incidente ocorrido. Pegamos a rodovia sentido centro, voltamos para casa com uma história boa pra contar.
Por: Alex Medeiros
Um comentário:
Ah, os incríveis 16 anos.
A estória lembra Kerouac, a forma da prosa não.
Abraços, jovem escritor.
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