quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um dia Qualquer

Antes de entrar no serviço vejo um carro parado no estacionamento penso que deve ser de algum dono dessas butiques de grife que vendem produtos superfaturados que exploram pessoas desesperadas com suas contas a pagar. Todos os dias acordo as cinco da manhã, a tortura começa, tomo apenas um café preto, abro a porta, saio de casa para enfrentar as ruas, pego o ônibus lotado, parece mais uma lata de sardinha espremida de humanos, em seguida o trem, seis cabeças por metro quadrado. Chego para trabalhar, agüento oito horas diárias, meu chefe fica uma boa parte desse período falando, às vezes berrando o que tenho e devo fazer, o que é certo ou errado. No final do expediente depois de um dia duro, volto para casa e desço a caminho da estação. Dentro do trem, trabalhadores cansados dormem sem quase respirar, no outro lado do canto superior, jovens esperançosos com seus cadernos debaixo do braço gargalham alto da vida, dos prazeres e dos sonhos. Na outra estação pessoas descem, o trem fica vazio, olhando para fora os carros passam sem me distrair. Observo através do reflexo estampado no vidro grosso da janela, uma mulher gritando, pedindo ajuda, ela segurava uma bola de carne que saia do seu pescoço, parecia uma enorme ferida, ela gritava que estava com tuberculose aguda e que precisava de dinheiro para financiar o tratamento, as pessoas não conseguiam olhar para a pobre mulher. Cheguei em casa, tomei uma ducha preparei um sanduíche, liguei o computador, comecei a escrever o fato.
Passamos boa parte de nossas vidas lutando contra os ponteiros do relógio, brigando com o tempo, reclamamos da demora, nos minutos perdidos nas filas dos caixas de supermercados, lojas, queremos que as horas passem depressa em nossos empregos, ficamos angustiados dentro de nossas noivas mecânicas parados no transito a caminho da cidade caótica, solitária, corremos feito um bando de malucos pra lá e pra cá sem saber para onde estamos indo. No final de um longo processo, de um doloroso pesadelo que é a vida, alguém marcará a hora do nosso enterro.

quarta-feira, 23 de julho de 2008

O Animal que conta histórias


Consegui chegar ao prédio depois de uma hora no transito caótico da cidade, era uma segunda feira chuvosa, poucas pessoas transitavam pelas ruas. Abri a porta do saguão, dei de frente com um camarada de campana, ele estava tremendo, bicudo até o talo, perguntou se eu estava a fim de usar drogas, não hesitei nem por um momento, na hora lembrei que eu estava trabalhando que nem burro de carga, doze dias seguido sem folga, pensei bem, porque não? Falei para ele esperar, precisava guardar minha mochila, ligar para minha namorada e pegar mais dinheiro. Entrei no quarto, abri a gaveta, peguei a carteira e uma nota de cinqüenta reais, ela cheirava a nova. Fui na cozinha, ainda tinha café na garrafa, coloquei no copo e desci as escadas correndo desesperado. Ele estava lá, pegamos o carro e fomos direto à fonte, seis cápsulas, três pra cada, a quantidade era um absurdo, fiquei assustado, pensando que desta vez iríamos assinar nossa sentença de morte, abrimos uma e despejamos tudo, esticamos duas carreiras imensas, a cocaína era boa, parecia que eu tinha corrido dois quilometro sem parar, comecei a suar frio, meu coração disparou e meus dentes começaram a ranger, meu colega estava incomunicável. Paramos no posto, compramos seis latas de cerveja, ficamos bebendo, ouvindo rádio que mesclava boas canções com pitadas de desgraças do mundo. Fui no banheiro, aproveitei para mandar outra carreira, essa bateu semelhante uma faca dilacerando um corpo apodrecido que nem carne na manteiga. Decidimos dar uma volta pelo centro da cidade, tudo estava fechado apenas bêbados e prostitutas arriscavam-se naquela noite fria, observamos uma padaria aberta, estacionamos o carro, descemos e compramos mais cerveja, o dono recusou-se a vender, prosseguimos e mais a diante, tinha um boteco horrível aberto, pegamos oito latas, uma garrafa de vodka, saímos rápido, minha mente não parava de pensar um minuto, despejei mais uma cápsula, mandamos e ainda restavam uma pra cada, com o álcool, meu colega começou falar mais, conversamos sobre política, religião, futebol, mulheres, violência banalizada e sobre a condição medíocre de nossas vidas. Colocamos o restante da cocaína, pensei que fosse ter um treco, comecei a tremer, meu coração disparou na hora, abrimos a garrafa de vodka e mandamos ver no gargalo mesmo, passei só a beber, o sujeito queria voltar e pegar mais dois papéis, eu disse pra ele que estava tranqüilo, estava assustado, com medo, percebe que tinha chegado no meu limite, o bom jogador deve saber a hora de parar. Eram cinco horas da manha, o dia estava claro, ninguém nas ruas, apenas alguns loucos se aventurando, quebrando garrafas de cerveja pelos cantos das ruas. Sugeri que passássemos no morro para pegar um fumo. Fomos até o local pegamos caminhando lentamente a ladeira. Paramos em uma praça e ascendemos um baseado gordo, ficamos contemplando o sol de todos os dias. Voltamos para casa e para dentro de nossas vidas tristes, vazias sem grandes novidades.


Alex Barbosa Medeiros

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Cachorro do Trópico


Charles é um homem solitário, sem mulheres, não tem família, primos mais velhos ou amigos. Vive só no seu apartamento minúsculo, onde passa a maior parte do tempo no quarto trabalhando, redigindo provas na frente do computador. Entre uma questão e outra, Charles bebe café puro, come pedaços de pizza, ascende alguns cigarros para aliviar a tensão dos prazos, quando o esforço é grande, compra gramas de cocaína, garrafas de vinho, carne, vitelas e barras de chocolate. Charles resolveu tirar alguns dias de folga, estava farto, cansado do mundo e das pessoas, não produziu nada, desligou o telefone, ficou sentado no sofá, fumando cigarro, lendo livros, olhava a rua vazia através da janela, nenhum cristão se aventurava no frio. Antes de ir dormir, ele se levantou, foi escovar os dentes, olhando para o espelho, tomou um enorme susto com seu reflexo, parou por alguns segundos, observou atentamente sua face estampada, seu rosto envelhecido, esburacados, pela primeira vez, sentiu o peso da idade, o medo da morte, talvez seus ossos começassem a doer lentamente, os cabelos dispersavam sobre sua cabeça. Charles sentia que algum órgão vital seu tinha apodrecido, talvez seu coração, talvez o sangue que circulava em seu corpo havia secado, não tinha mais esperança, não sentia mais tantos desejos, olhava para uma jovem fêmea, não sentia mais a mesma veracidade de antes, estava cansado de tudo, dos mesmos programas de auditório, das manchetes que pingavam sangue na primeira página do jornal diário, das pessoas com suas conversas e enganações matinais, estava farto, pensava que o melhor remédio seria dormir seis meses, acordar, despencar num sonho profundo, sem volta, direção ou sentido. Charles acordava melancólico, triste, as manhãs eram as mesmas sempre, à velha rotina sufocava seu sentimento e aprisionava sua alma. Charles acordava pela manhã, levantava, vestia sua armadura, abria a porta, caminhava na direção do ponto, pegava o ônibus vazio, no trajeto, percebia que estava perdendo sua vida, sentia vontade de ter uma mulher, de ter amigos, de ser uma pessoa normal, se questionava o que era ser normal, sentia vontade de sair às vezes, mas quando pensava no serviço, na eterna cobrança, na responsabilidade que tinha que ter, na prisão sem grades, que martelava seu cérebro a tarde toda, acabava no bar sozinho, não sentia razões para sua existência, ninguém sentiria sua falta se morresse, não faria diferença nenhuma. Charles tinha essa consciência.

Caminhando pelas ruas um rapaz encontrou jogado no chão um jornal com as notícias do dia, lido e desprezado por alguém, o rapaz se perguntava quem seria essa pessoa, homem ou mulher, enfim pegou o exemplar e colocou na mala. Na hora do almoço, ainda lhe restavam trinta minutos antes de voltar para ao trabalho, resolveu dar uma volta na praça e aproveitar e ler o jornal, deu uma olhada no caderno de esporte, observava atentamente as notícias do seu time que sempre perdia nos domingos de manhã, leu a parte de política, e depois o caderno policial, ficava perplexo com a crueldade do ser humano. No canto inferior esquerdo da página principal tinha uma nota sobre um homem que tinha cometido suicídio, ele achou interessante o assunto, por muitas vezes pensou na possibilidade de acabar com tudo de uma vez, rápido e sem dor, no fundo sabia que não tinha coragem. O jovem começou ler a matéria.
“Homem de quarenta anos é encontrado morto na estação antiga de trem por volta das duas horas da madrugada. O corpo de Charles Peixoto foi encontrado pelo vigia da estação, que fazia sua ronda noturna”. Nenhum parente, nenhum amigo ou conhecido reconheceu o que restou do corpo dilacerado de Charles, ninguém foi ao seu enterro, porque iriam?

Alex Medeiros.

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Quarenta minutos para cinco da madrugada.

Entrei no primeiro banheiro que encontrei pela frente desesperado com duas cápsulas de cocaína no bolso. A rua estava escura e molhada, havia caído um dilúvio no centro velho da cidade. Respirei, despejei metade na carteira, em seguida mandei um tiro violento, em poucos segundos meus olhos estatelaram, minha pupila ficou branca, meu coração disparou, comecei a suar feito um porco, parecia que eu tinha corrido trezentos metros em nove segundos. Abri a torneira, lavei o rosto, vi um filete vermelho escorrendo pelo lavável, olhei no espelho, meu nariz estava sangrando, peguei um rolo de papel higiênico, não parava de pingar emporcalhando o chão todo, alguém ao lado de fora batia com força na porta, pensei que fosse a policia querendo algo, mas isso não acontecia, ficava sempre pensando na resposta que daria aos guardas. Fiquei cinco minutos estancando o sangue, fumando cigarro na privada vazia, o sangue parou de escorrer, ao sair do banheiro pedi desculpas pela demora, era um casal de viciados reclamando. Sentei perto do balcão, pedi uma cerveja, o bar estava cheio, a noite estava clara, no fundo quatro garotas animavam o ambiente. Doce ilusão. Ficava observando a fila do banheiro, pensando em ir para casa. A fila não parava de crescer, peguei duas latas, paguei, caminhei contra o fluxo, desci rápido, sem olhar para trás. Cheguei em casa, fui direto ao banheiro mandar o restante da cápsula, bateu forte de novo, abri a geladeira, peguei uma cerveja, liguei a televisão, mas nada me agradava, coloquei um disco do Velvet Underground com a doce voz de Lou reed, cantando como se fosse um anjo despedaçado e cheio de fúria. Fiquei fritando na frente do computador tentando escrever alguma coisa, não saia absolutamente nada, desisti, ficava constantemente indo ao banheiro, abria a geladeira e pegava mais cerveja, não conseguia me concentrar, minha respiração estava ofegante. Desliguei o computador, o som e fui para cama. Não conseguia dormir, a angustia tomava o espaço, minha mente não parava, pensava na minha garota, pensava na minha mãe, no cachorro e no maldito emprego, não conseguia pregar os olhos. Levantei dei uma olhada na rua através da janela, tudo estava calmo, o silencio sufocava a noite dava para ouvir o barulho do vento balançando as cortinas dos outros apartamentos. Fui até a gaveta do armário, lembrei que ainda tinha uma ponta de um bec, um rapaz latino, tinha trazido foi ao Panamá, me vendeu vinte gramas, dava para mais ou menos uns doze baseado. Ascendi na cama, dei quatro tragos e joguei de volta no cinzeiro. Deitei na cama, fiquei olhando para o céu da janela do quarto escuro abafado cheirando a naftalina, havia poucas estrelas brilhando, a noite estava fria, apenas a escoria humana ainda buscava diversão. Fechei os olhos, me veio como um filme, comecei a pensar na minha infância, lembrei do time de futebol que tinha sido campeão na sétima serie, costumávamos a ganhar dos mais velhos, era o momento de glória e a única forma que conseguia ficar com uma garota mais velha e tocar suas coxas grossas, era mágico, sabia que logo passaria, mas realmente valia a pena. Deu sono. Fui pra cama dormir, sabia que no outro dia, seria um dia duro.

Alex Medeiros

OCUPEM AS FÁBRICAS
TODO PODER AOS CONSELHOS OPERÁRIOS
ACABE COM A SOCIEDADE DE CLASSE
ABAIXO A SOCIEDADE ESPETACULAR MERCANTIL
ACABE COM A ALIENAÇÃO
ACABE COM A UNIVERSIDADE
A HUMANIDADE SÓ SERÁ LIVRE QUANDO O ULTIMO BUROCRATA FOR ENFORCADO NAS TRIPAS DO ULTIMO CAPITALISTA

IS. MAIO 1968

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

O animal que conta histórias.

Consegui chegar no prédio depois de uma hora no transito caótico, era uma segunda feira chuvosa, poucas pessoas transitavam pelas ruas. Abri a porta do saguão, dei de frente com um camarada de campana, ele estava tremendo, bicudo até o talo, perguntou se eu estava a fim de usar droga e tomar uma cerveja. Eu estava trabalhando que nem burro de carga, doze dias seguido sem folga, pensei bem, porque não? Falei para ele esperar, precisava guardar minha mala, ligar para minha namorada e pegar mais dinheiro. Entrei no meu quarto, abri a gaveta, peguei a carteira e uma nota de cinqüenta. Fui na cozinha, ainda tinha café na garrafa, coloquei no copo, desci a escada correndo. Ele estava lá, pegamos seu carro, fomos direto na fonte que nunca para de brotar, seis cápsulas, três pra cada, a quantidade era um absurdo, fiquei assustado, pensando que desta vez iríamos assinar nossa sentença de morte, abrimos uma despejamos tudo, estiquei duas carreiras enormes, a cocaína era boa, parecia que eu tinha corrido um quilometro, comecei a suar frio, meu coração disparou, meus dentes começaram ranger, meu colega já estava incomunicável. Paramos no posto, compramos seis latas de cerveja, ficamos bebendo, ouvindo rádio e as noticias do mundo. Fui no banheiro, aproveitei para mandar outra carreira, bateu forte que nem uma faca afiada, dilacerando um corpo apodrecido. Decidimos dar uma volta pelo centro da cidade, tudo estava fechado apenas bêbados e prostitutas arriscavam-se nanoite fria, vimos uma padaria aberta, estacionamos o carro, descemos e fomos comprar mais cerveja, o dono não quiz vender, prosseguimos e mais a frente tinha um boteco horrível aberto, pegamos oito latas, uma garrafa de vodka, saímos rápido, minha mente não parava de pensar um minuto si quer, despejei mais uma cápsula, mandamos e ainda restavam uma pra cada, com o álcool, meu colega começou falar mais, conversamos sobre política, futebol, mulheres e sobre a condição ridícula do ser humano, colocamos o restante, pensei que teria um treco, comecei a tremer, meu coração disparou na hora, abrimos a garrafa de vodka e mandamos ver no gargalo, passei só a beber, o sujeito queria voltar e pegar mais dois, disse que eu estava tranqüilo, tinha chegado no meu limite, o bom jogador deve saber a hora de parar quando esta ganhando. Eram cinco horas da manha, o dia já estava claro, ninguém nas ruas, apenas dois insanos, rodando de carro e a viatura na nossa cola, quebrei numa rua qualquer e conseguimos dispistalos, não tínhamos nada, apenas uma garrafa de vodka pela metade e um maço de cigarro quase vazio. Sugeri para meu colega que passássemos no morro para pegar um pouco de fumo. Pegamos e fomos até uma praça, longe da civilização, ascendemos um baseado, ficamos contemplando o sol de todos os dias. Voltamos para casa e para dentro de nossas vidinhas tristes, sem grandes novidades.


Alex Barbosa Medeiros

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

Mathias tinha aproximadamente quarenta anos. Morava com sua mãe, uma velha dócil que não saia do quarto pra nada. Mathias acordava todos os dias seis horas da manhã, vestia seu pijama surrado, suas sandálias de couro, caminhava sempre em direção ao banheiro, tomava uma ducha, fazia sua barba, às vezes cortava seu rosto, o sangue misturava-se junto ao creme de barbear parecendo um sorvete de nata com calda de framboesa. Mathias estava vivendo do seguro desemprego há dois meses, restava mais quatro parcelas para mamar nas tetas do governo. Mathias ficava o dia inteiro trancado no quarto, lendo Marx, assistindo filmes de gangsters e tocando guitarra aos finais de semana, chapado de vinho. Ele vivia sozinho, poucos amigos e sem nenhuma mulher para ouvir suas histórias ou opiniões de assuntos muitas vezes banais depois de uma boa foda, vivia andando pelas boates da Rua Augusta com duzentos reais na carteira e um pouco de cocaína no bolso. Deitava-se com diversas mulheres, às vezes transava com duas ao mesmo tempo, não lembrava o rosto de nenhuma, depois ficava chorando no, reclamando que não conseguia viver ao lado de nenhuma mulher. Mathias tinha um monza azul 89, dava para o gasto, saia com colegas da faculdade, dava carona e metia com elas, nos cantos escuros da cidade, o medo era o seu companheiro. Mathias não podia parar no bar que chegava algum amigo oferecendo uma carreira, era quando tudo começava e terminava muitas vezes numa maca de hospital tomando glicose nas veias. Mathias não conseguia arranjar uma companheira, preferia viver sozinho, sem ninguém para torrar sua paciência, seguia seu caminho como lobo solitário vagando pelas ruas e florestas de concreto, preferia chegar em casa, tomar seu banho, comer um miojo de queijo e ascender um grande baseado gordo e depois ouvir discos do Led que seu tio lhe deu. Sua vida era simples, vivia um dia após o outro, pensando sempre no pior para as coisas darem certo, na maioria das vezes não acontecia nada de novo. Cansado da sua vida e de trabalhar no mesmo emprego há dez anos, Mathias teve uma atitude corajosa de tentar fazer algo, ficou algum tempo na praia, alugou uma casa, comprou cinqüenta gramas de fumo, não agüentava mais ver o mar ir à padaria vazia e tomar café, decidiu voltar pra cidade, sua mãe estava na casa de uma tia. No ultimo mês da parcela, Mathias estava desesperado, sem emprego, e sem dinheiro para pagar as contas, Mathias tomou uma decisão drástica, estava decidido. Numa sexta feira chuvosa, com poucas pessoas circulando na rua, Mathias recebeu mil e quinhentos reais, pegou todo o dinheiro, enfiou na carteira, foi no melhor restaurante, depois foi no puteiro, transou com a prostituta mais linda da cidade, em seguida passou na boca do lixo e pegou cinco gramas de cocaína das puras, entrou no quarto e ficou mandando várias carreiras, bebendo água, pois a cerveja havia acabado, separou trezentos reais, voltou na boca, perguntou para o rapaz de camiseta preta que segurava a boca, se ele conseguiria um berro por trezentos reais, o cara disse que ia tentar, pedindo para Mathias voltar uma hora mais tarde. Mathias retornou duas horas depois, falou com o mesmo cara, comprou o revolver com duas balas, voltou para o quarto cheirou toda a cocaína que restava de uma vez só, seu corpo estava anestesiado, sem hesitar, Mathias deu um tiro certeiro em sua traquéia, seu corpo despencou no chão formando uma imensa poça de sangue, pintando a parede do seu quarto de vermelho.

Alex Medeiros

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Acordo todos os dias a cinco. Levanto, vou direto para o banheiro, lavo o rosto, escovo os dentes, entro no chuveiro para tirar o sono e dar uma refrescada no calor insuportável. Olho através da janela, o sol esta lá fora, oferecendo-me um novo dia inteiro pela frente. Preparo um café, passo a camisa branca, calça preta, engraxo meu sapato marrom e desço pela escadaria velha, abro a porta, olho para o ponto do ônibus, sempre lotado, toda manhã é igual, as mesmas pessoas, com suas roupas cheirando a naftalina. Cadáveres ambulantes a beira de um colapso. Pego o trem, desço na estação nova e vou caminhando até a fábrica, almoço, janto, depois de muito suor, volto para a casa com a mesma face envelhecida e cansada diante do espelho.

Alex Medeiros
A noite estava linda, mas o calor era insuportável. Decide pegar o carro e sair pelas ruas, não passava nada na televisão como sempre. Tomei uma ducha enquanto a cerveja gelava no congelador, escovei os dentes, meti a cueca e coloquei uma música do “The Doors”. Ainda tinha um pouco de fumo na gaveta, enrolei um, ascendi e fiquei viajando passando as faixas do disco. Peguei a chave do carro, fechei as janelas da sala e fui para o estacionamento. Parei no posto perto de casa, completei o tanque e comprei seis latas de cerveja. Abri uma, coloquei numa rádio de jazz, abri os vidros e fiquei sacando o movimento das pessoas, e suas vidas funcionando como um peão no tabuleiro. Parei numa praça qualquer com uma igreja no fundo, um bêbado e um cachorro lambendo sua boca. Abri outra lata, fiquei pensando no que nunca mudava. Liguei o carro, as cervejas tinham acabado então fui direto ao mercado mais próximo. Não queria ficar em qualquer boteco ouvindo os bêbados contarem suas emocionantes histórias e lições de vida, não queria ninguém bajulando no meu ouvido para pagar mais um copo de pinga, estava a fim de ficar tranqüilo, sem ninguém para incomodar. Peguei uma garrafa de vodka, doze latas de cerveja e fui pro caixa. Tomei uma cerveja no carro parado no estacionamento, olhando para as mães gostosas com seus filhos no colo, esperando seus maridos com as compras. Adorava fazer isso, tomar uma no carro, ouvindo música. O homem é o rei do conforto. Dei partida no carro, decidi ir para casa, no caminho parei antes da faixa, o farol estava vermelho, uma gostosa passava com uma saia mostrando sua bunda. Não falei nada. Esperei ela passar lentamente com os olhos, meu pau endureceu na hora, fiquei imaginando eu comendo ela de quatro no chuveiro. Continuei o percurso, cheguei em casa, fui para o banheiro e, bati uma punheta, esfolando a cabeça do meu pênis. Abri a geladeira, peguei uma cerveja, deitei no sofá e dormi ali mesmo.

Alex Medeiros

terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Primeira serie a gente nunca esquece

Lembro-me de quando tinha sete anos e ainda éramos uma família. Papai, Mamãe, duas irmãs e o menino caçula que só aprontava e era sempre defendido pela madre superiora. Lembro dos meus primeiros dias na escola pública do bairro. Minha primeira serie. Queria que minha mãe não fosse embora naquele dia. Mas ela foi. Sentia-me um estranho no ninho, querendo voltar ao útero. A hora que mais esperava era o recreio como chamávamos na época. No pátio do colégio, tinha a cantina do Bigode, um português gordo e simpático. Costumava todo santo dia comer um misto quente e tomar uma coca, às vezes pedia uma pizza e bebia um guaraná. Foi no balcão da cantina que olhei um anjo e fiquei encantado, parecia que o tempo tinha paralisado, uma garota da minha idade sorrindo ao meu lado. Loira, magra e olhos verdes. Achei um pouco estranho não tinha passado por nada parecido. Contei para minha amiga, ela não gostou muito da notícia porque todos no prédio em que morávamos, diziam que quando crescêssemos, iríamos namorar. Percebia que ela gostava de mim. Ficou triste. Mesmo assim pedi que ela me ajudasse a falar com a garota. Não gostou da idéia e não fez nada. Decidi eu mesmo fazer algo e bolei um plano. Pensei que poderia agradá-la com um presente e conquistá-la, observava meu pai quando ele queria agradar minha mãe, dava um par de brincos, colares ou um relógio. Esperei meus pais saírem para o serviço. Entrei no quarto tranquei a porta, abri a caixa de jóias da minha mãe, havia muitos brincos, pulseiras, coisas de mulher. Peguei um colar e um batom em forma de morango. Guardei na minha mochila e sai de mansinho. Chegou à noite fui para o quarto dormir. Finalmente era segunda, estava ansioso, inseguro, mas decidido. Embrulhei os presentes e coloquei no bolso. Fui para a escola. Não conseguia assistir a aula de matemática, estava um saco e as horas não passavam. Finalmente tinha dado a hora do intervalo, saí correndo feito louco. Ela não estava lá, perguntei a sua colega, disse-me que estava doente e não pode vir. Fiquei triste e aliviado por um lado. Chegou terça feira, não apareceu, na quarta também não. Veio na quinta, trazendo seu belo sorriso. Olhei para ela desejei uma boa tarde, mas não consegui falar nada, muito menos lhe dar os presentes, pedi para minha amiga ela de jeito nenhum aceitou, disse que eu não teria chance, então fiquei chateado, pensei em não desistir, queria conquistar aquela pequena, então arrumei outro plano. Escrevi um bilhete e pedir para sua colega de classe entregar. Comecei a escrever que, achava ela muito bonita e queria namorar, coloquei meu nome e guardei o bilhete na mochila. No dia seguinte eu estava pálido e tremendo, falei com a garota para entregar o bilhete. Ela não respondeu no mesmo dia, sua mãe sempre estava esperando – a no portão de saída. Passei a noite jogando vídeo game e pensando no que seria do amanhã. Chegou o grande dia, queria saber a resposta logo, então a colega dela me devolveu o bilhete, estava escrito que sim e que ela também me achava bonitinho. Então falei com ela no outro dia no recreio, comemos um lanche, eu experimentei sua pizza, ela provou meu misto quente, então pensei que seria a hora certa, entreguei os presentes na sua mão, ficou vermelha, guardou e me deu um Celinho. A partir daquele dia começamos a namorar, andávamos de mão dada pelo corredor, as pessoas olhavam para nos como se fossemos estranhos, mas eu nem ligava, os outros garotos olhavam como se eu fosse um cara de muita sorte, não lembro como a história terminou. Tudo tem que ter um fim.

Alex Medeiros




segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Trabalhava para uma tia muito rica. O emprego era tranqüilo. Eu ganhava quinhentos reais semanais, de segunda a sexta, oito horas diária, dava para pagar as contas e ainda sobrava um troco para torrar com porcarias que na maioria das vezes não precisamos. Minha tia era casada com um dono de uma das maiores empresas de pneu. O ano tinha sido bem rentável, ela estava toda orgulhosa. Certo dia eu estava no computador jogando paciência, estava ansioso para sair e paquerar umas mulheres na noite, era uma sexta quente, fervorosa como um caldeirão. Quando alguém anunciou com uma voz distorcida em um desses microfones fedorentos de saliva meu nome, era para eu comparecer na gerencia, a principio fiquei assustado, mas tinha lembrando que havia tempo que não fazia nenhuma cagada, então entrei no elevador dei boa tarde para ascensorista que usava um uniforme azul colado e dava para perceber que sua perna era grossa e atlética, ficava sonhando em agarrar aquela bunda por apenas uma noite, seria maravilhoso. Falei com a secretária que também não era de se jogar fora, mandou eu ir direto a sala que a patroa estava esperando. Minha tia me deu um beijo, um abraço fervoroso, afinal já fazia dois anos que eu estava sendo seu cachorrinho de estimação. Ficou meia hora contando história que gostava muito da minha mãe Vera e de mim, fiquei ouvindo aquela lenga lenga toda, comecei a bocejar de sono, quando ouvi lá no fundo sua doce voz ecoar de longe no meu ouvido para abrir o cofre, voltei na hora. Perguntei, ela me mandou abrir o cofre. Abri, estava cheio de plaques de notas de cinqüenta e cem reais. Então ela pegou um plaque, falou que tinha uma quantia de dois mil em notas de cinqüenta e disse que era um presente merecido, não questionei e dei um abraço pensando no que eu faria com a grana. A hora de ir embora não passava, tinha ido ao banheiro duas vezes soltar um cagão. Olhei para o relógio, não acreditava que dentro da minha mochila velha, tinha tanto dinheiro guardado, nunca tinha visto tanto cascalho assim na vida, livres de impostos. Peguei o primeiro ônibus que passou sentido, Avenida Paulista, estava vazio com alguns boêmios nos bancos de trás, bebendo e cantarolando músicas do Raul Seixas. Eram seis horas, havia saído do serviço as cinco, era uma véspera de feriado. Decidi parar num bar na Rua Augusta, chamei uma cerveja, sentei na poltrona e fiquei observando a linda tarde que caia. Pedi mais uma cerveja e mais outra em seguida, quando percebi, já tinha tomado seis garrafas, o calor estava insuportável. Olhei para o céu e vi um avião gigantesco passar por cima dos meus olhos, pensei na hora que nunca tinha pisando num, então poderia ser uma boa hora. Pedi mais uma gelada e fiquei num conflito interno de ir ou não ir. Resolvi que sim e peguei uma ponte aérea Rio, São Paulo, ida e volta, paguei trezentos e cinqüenta reais, sobraram, mil seiscentos e cinqüenta reais, dava para ficar uns dias, mas o que eu queria mesmo seria coisa rápida. Cheguei no aeroporto do Rio de Janeiro, aquele bafo quente misturado com fedor e a umidade me davam náuseas. Vi no saguão diversas mulheres de corpos exuberantes, prontas para devorarem seus machos. Perguntei a um taxista se ele conhecia algum morro por aqui que vendesse drogas. Os dois primeiros ficaram assustados e não quiseram, mas sentia que mais cedo e mais tarde apareceria um loco que toparia. Falei com um rapaz, parecia ser mais novo, perguntei para ele se sabia onde conseguiria pegar três papelotes de cocaína. Ele disse que conseguia com um conhecido dele que subia no morro, conhecia os rapazes do movimento, o taxista ligou para o rapaz que sempre estava de moto fazendo entregas extra. Tirei sessenta reais e dei na mão do taxista, disse pra ele me dar quatro, ficar com um, da um para o rapaz da moto e ainda paguei setenta reais da corrida, fiquei esperando dentro do carro, o taxista entrou primeiro, o rapaz estacionou a moto e entrou no carro, fiquei cabrero na hora em que o taxista pediu para colocar um tiro. Achei justo e coloquei metade de um inteiro que parecia um travesseiro gigante. Demos duas carreiras, parecia que eu tinha corrido uns dois quilômetros era da pura, muito boa. O cara da moto foi embora. Pedi para o taxista me deixar perto do aeroporto. Meu coração começou a disparar, comecei a ranger os dentes fortes, doíam o maxilar e a fonte, dei mais um tiro antes de sair do carro agradeci o taxista. Parei em um bar perto do aeroporto, pedi uma cerveja e fiquei olhando umas gostosas que passavam pela rua. Entrava toda hora no banheiro e mandava ver, meu vôo sairia às dez horas da noite. Cheguei no aeroporto de Cumbica, peguei um táxi e ainda fui para casa com dois papeis fechado no bolso.


Alex Medeiros
15/01/2008

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cem Passos

O filme Cem Passos narra a história real da máfia italiana. Baseado em fatos verídicos traz como personagem principal Peppino Impastato, um rapaz que, apesar de pertencer a uma família de mafiosos, é influenciado por um pintor comunista e se filia ao partido esquerdista. Desesperado, seu pai faz de tudo para integrá-lo ao mundo do crime, mas Peppino o desafia e mostra todo seu desprezo a essa realidade. Ele, inclusive, funda uma estação de rádio rebelde e distribui mensagens contra o crime organizado, estimulando outros jovens ao seu redor. A história se passa em Cinisi, uma minúscula cidade siciliana que, nos anos 60, era ponto de referência no tráfico de drogas. Lá, além de Peppino, vive o chefão Tano Badalamenti, precisamente há cem passos de sua casa. O elenco é formado por Luigi Lo Cascio, Luigi Maria Burruano, Lucia Sardo, Paolo Briguglia, Tony Sperandeo, Andrea Tidona, Claudio Gioè. Um filme encantador e sincero.
Alex Medeiros

Nossa Imprensa vergonhosa

Nossa Imprensa Vergonhosa.
Por: Alex Medeiros

A imprensa brasileira é comandada por famílias que estão no poder desde 1990 são elas: Abravanel (SBT), Bloch (Manchete), Civita (Abril), Frias (Folha de São Paulo), Levy (Gazeta Mercantil), Mesquita (O Estado de São Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil), Saad (Bandeirantes) e Sirotsky (Rede Brasil). Por serem empresas elas obedecem à lógica do mercado visando em primeiro plano o lucro. A notícia perdeu sua verdadeira essência e seu valor de informação para simplesmente virar um produto descontextualizado, manipulador e tendencioso. Essas empresas, não querem ou não estão interessadas em discutir os problemas da sociedade. As transnacionais como os jornais dizem, não querem saber se o povo passa fome, não querem saber das filas nos hospitais por falta de atendimento médico ou falecimentos por falta de remédios nos postos de saúde, o caos do transporte, elas não querem discutir uma política digna para a construção de um país democrático, porque se fizessem, perderiam sua soberania e seus lucros iriam despencar. Enquanto essas famílias estiverem por de trás das empresas de comunicação, o país nunca terá um jornalismo verdadeiro voltado para o social e para a formação de seres humanos e não meros consumidores.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Caminhando pela rua
No beco escuro
Estranhos em perigo
Alimentam se da noite
Sem destino
Sem rumo
Sem direção
Caminhando pela rua
No beco escuro
Anjos prostituídos
Caídos no chão
Doce sonho
Futuro de uma ilusão
Sem coragem
Sem amor
Sem emoção
Caminhando pela rua
Até o fim do dia.

ALEXMEDEIROS
Resolvi ficar em casa não estava nem um pouco a fim de trabalhar. Fiquei na cama pensando. Queria apenas poder ficar deitado o resto da vida mamando nas tetas do governo. Doce sonho. Fazia dois anos que não tirava férias. Não precisei fazer a barba, levantei, coloquei a roupa, escovei os dentes, lavei o rosto e tomei uma ducha. O calor e a umidade eram de matar. Voltei a dormir mais um pouco, era divino, tinha que aproveitar, no outro dia levantaria as cinco da manhã. Acordei assustado com o barulho do telefone. Atendi
­­---- Alo?
---- Gostaria de falar com o Carlos?
---- É ele, pois não?
---- Aqui é o Mathias porque o senhor não veio trabalhar?
---- O chefe desculpa é que acordei com uma dor de cabeça infernal e meu corpo esta queimando de febre, estou me trocando para ir ao médico.
---- Vou fingir que acredito.
---- Mas é verdade.
---- Tudo bem amanhã as seis, ou vou te dar um pé na bunda.
---- Até amanhã e passar bem.
O desgraçado era apenas um pau mandado que achava ser o dono. Coitado, deve ter sido abusado na infância. Voltei para a cama ainda eram onze horas. Tive um pesadelo horrível onde alguns rapazes dentro de um opala preto com os vidros filmados me seqüestravam e no final metiam um balaço na minha cabeça. Acordei suando frio. Ainda eram duas da tarde. Fiz um lanche de frango e tomei uma coca bem gelada. Liguei a televisão sempre os mesmos programas cretinos com olimpíadas bobocas ou evangélicos pregando seu cinismo. Coloquei no canal de desenho.
Acordei por volta das cinco com uma tremenda dor de cabeça, na televisão estava passando uma daquelas novelas onde os jovens são bonitos, sem espinhas na cara e malham para ficarem iguais a seus ídolos. Tenho pena de jovens que fazem isso. Desliguei a TV e fui para o quarto fumar um baseado. Levantei lesado. Preparei o café, comi um pão com manteiga e fui para rua dar uma volta.
A tarde tinha caído e a noite chegava agradável. Não tinha como não olhar para as pernas das garotas de mini saia à mostra que passavam na calçada. Parei no bar, pedi uma cerveja e um copo de conhaque. Conversei com o rapaz do balcão e perguntei se tinha alguma música do Raul Seixas para lembrarmos que existiu música boa e verdadeira. Colocou o cd na hora. Argumentei com ele que hoje o rock morreu, está em baixa. Expliquei que são sempre as mesmas bandas fazendo música comercial para tocar na rádio. Ele fingia que escutava mas não entendia quase nada. Tomei mais uma cerveja. Uma morena deliciosa com um vestido branco mostrando sua calcinha vermelha pediu-me um cigarro. Dei e ascendi, pedi que ela sentasse e me acompanhasse na cerveja, disse que estava esperando seu macho, eu disse que pena, e que seu namorado era um cara de sorte, foi embora sem falar nada. Estava pensando que tinha que voltar na merda do meu serviço e olhar para aqueles seres humanos detestáveis com suas roupas bregas. Dava ânsia de pensar no meu chefe com aquele terno e aquela gravata vermelha de bolinha ridícula, tinha dia que ele vinha aceso e aposto que tinha dado à noite inteira.
Voltei para casa. As mesmas fofoqueiras de sempre falando da vida alheia. Fui direto para o chuveiro. Deitei no sofá, estava passando um bom filme de terror. Apaguei ali mesmo.

Alex Medeiros.