terça-feira, 15 de janeiro de 2008

Primeira serie a gente nunca esquece

Lembro-me de quando tinha sete anos e ainda éramos uma família. Papai, Mamãe, duas irmãs e o menino caçula que só aprontava e era sempre defendido pela madre superiora. Lembro dos meus primeiros dias na escola pública do bairro. Minha primeira serie. Queria que minha mãe não fosse embora naquele dia. Mas ela foi. Sentia-me um estranho no ninho, querendo voltar ao útero. A hora que mais esperava era o recreio como chamávamos na época. No pátio do colégio, tinha a cantina do Bigode, um português gordo e simpático. Costumava todo santo dia comer um misto quente e tomar uma coca, às vezes pedia uma pizza e bebia um guaraná. Foi no balcão da cantina que olhei um anjo e fiquei encantado, parecia que o tempo tinha paralisado, uma garota da minha idade sorrindo ao meu lado. Loira, magra e olhos verdes. Achei um pouco estranho não tinha passado por nada parecido. Contei para minha amiga, ela não gostou muito da notícia porque todos no prédio em que morávamos, diziam que quando crescêssemos, iríamos namorar. Percebia que ela gostava de mim. Ficou triste. Mesmo assim pedi que ela me ajudasse a falar com a garota. Não gostou da idéia e não fez nada. Decidi eu mesmo fazer algo e bolei um plano. Pensei que poderia agradá-la com um presente e conquistá-la, observava meu pai quando ele queria agradar minha mãe, dava um par de brincos, colares ou um relógio. Esperei meus pais saírem para o serviço. Entrei no quarto tranquei a porta, abri a caixa de jóias da minha mãe, havia muitos brincos, pulseiras, coisas de mulher. Peguei um colar e um batom em forma de morango. Guardei na minha mochila e sai de mansinho. Chegou à noite fui para o quarto dormir. Finalmente era segunda, estava ansioso, inseguro, mas decidido. Embrulhei os presentes e coloquei no bolso. Fui para a escola. Não conseguia assistir a aula de matemática, estava um saco e as horas não passavam. Finalmente tinha dado a hora do intervalo, saí correndo feito louco. Ela não estava lá, perguntei a sua colega, disse-me que estava doente e não pode vir. Fiquei triste e aliviado por um lado. Chegou terça feira, não apareceu, na quarta também não. Veio na quinta, trazendo seu belo sorriso. Olhei para ela desejei uma boa tarde, mas não consegui falar nada, muito menos lhe dar os presentes, pedi para minha amiga ela de jeito nenhum aceitou, disse que eu não teria chance, então fiquei chateado, pensei em não desistir, queria conquistar aquela pequena, então arrumei outro plano. Escrevi um bilhete e pedir para sua colega de classe entregar. Comecei a escrever que, achava ela muito bonita e queria namorar, coloquei meu nome e guardei o bilhete na mochila. No dia seguinte eu estava pálido e tremendo, falei com a garota para entregar o bilhete. Ela não respondeu no mesmo dia, sua mãe sempre estava esperando – a no portão de saída. Passei a noite jogando vídeo game e pensando no que seria do amanhã. Chegou o grande dia, queria saber a resposta logo, então a colega dela me devolveu o bilhete, estava escrito que sim e que ela também me achava bonitinho. Então falei com ela no outro dia no recreio, comemos um lanche, eu experimentei sua pizza, ela provou meu misto quente, então pensei que seria a hora certa, entreguei os presentes na sua mão, ficou vermelha, guardou e me deu um Celinho. A partir daquele dia começamos a namorar, andávamos de mão dada pelo corredor, as pessoas olhavam para nos como se fossemos estranhos, mas eu nem ligava, os outros garotos olhavam como se eu fosse um cara de muita sorte, não lembro como a história terminou. Tudo tem que ter um fim.

Alex Medeiros




Um comentário:

Anônimo disse...

E ae meu. É o Valter quem tá escrevendo. Quer dizer que o rapaizola, consegui o anjinho da escola. Boa garoto. XD Até mais tarde, meu caro drugue.