quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Resolvi ficar em casa não estava nem um pouco a fim de trabalhar. Fiquei na cama pensando. Queria apenas poder ficar deitado o resto da vida mamando nas tetas do governo. Doce sonho. Fazia dois anos que não tirava férias. Não precisei fazer a barba, levantei, coloquei a roupa, escovei os dentes, lavei o rosto e tomei uma ducha. O calor e a umidade eram de matar. Voltei a dormir mais um pouco, era divino, tinha que aproveitar, no outro dia levantaria as cinco da manhã. Acordei assustado com o barulho do telefone. Atendi
­­---- Alo?
---- Gostaria de falar com o Carlos?
---- É ele, pois não?
---- Aqui é o Mathias porque o senhor não veio trabalhar?
---- O chefe desculpa é que acordei com uma dor de cabeça infernal e meu corpo esta queimando de febre, estou me trocando para ir ao médico.
---- Vou fingir que acredito.
---- Mas é verdade.
---- Tudo bem amanhã as seis, ou vou te dar um pé na bunda.
---- Até amanhã e passar bem.
O desgraçado era apenas um pau mandado que achava ser o dono. Coitado, deve ter sido abusado na infância. Voltei para a cama ainda eram onze horas. Tive um pesadelo horrível onde alguns rapazes dentro de um opala preto com os vidros filmados me seqüestravam e no final metiam um balaço na minha cabeça. Acordei suando frio. Ainda eram duas da tarde. Fiz um lanche de frango e tomei uma coca bem gelada. Liguei a televisão sempre os mesmos programas cretinos com olimpíadas bobocas ou evangélicos pregando seu cinismo. Coloquei no canal de desenho.
Acordei por volta das cinco com uma tremenda dor de cabeça, na televisão estava passando uma daquelas novelas onde os jovens são bonitos, sem espinhas na cara e malham para ficarem iguais a seus ídolos. Tenho pena de jovens que fazem isso. Desliguei a TV e fui para o quarto fumar um baseado. Levantei lesado. Preparei o café, comi um pão com manteiga e fui para rua dar uma volta.
A tarde tinha caído e a noite chegava agradável. Não tinha como não olhar para as pernas das garotas de mini saia à mostra que passavam na calçada. Parei no bar, pedi uma cerveja e um copo de conhaque. Conversei com o rapaz do balcão e perguntei se tinha alguma música do Raul Seixas para lembrarmos que existiu música boa e verdadeira. Colocou o cd na hora. Argumentei com ele que hoje o rock morreu, está em baixa. Expliquei que são sempre as mesmas bandas fazendo música comercial para tocar na rádio. Ele fingia que escutava mas não entendia quase nada. Tomei mais uma cerveja. Uma morena deliciosa com um vestido branco mostrando sua calcinha vermelha pediu-me um cigarro. Dei e ascendi, pedi que ela sentasse e me acompanhasse na cerveja, disse que estava esperando seu macho, eu disse que pena, e que seu namorado era um cara de sorte, foi embora sem falar nada. Estava pensando que tinha que voltar na merda do meu serviço e olhar para aqueles seres humanos detestáveis com suas roupas bregas. Dava ânsia de pensar no meu chefe com aquele terno e aquela gravata vermelha de bolinha ridícula, tinha dia que ele vinha aceso e aposto que tinha dado à noite inteira.
Voltei para casa. As mesmas fofoqueiras de sempre falando da vida alheia. Fui direto para o chuveiro. Deitei no sofá, estava passando um bom filme de terror. Apaguei ali mesmo.

Alex Medeiros.

Um comentário:

francine costanti. disse...

gostei! simples, direto e bukowskiniano.