Consegui chegar no prédio depois de uma hora no transito caótico, era uma segunda feira chuvosa, poucas pessoas transitavam pelas ruas. Abri a porta do saguão, dei de frente com um camarada de campana, ele estava tremendo, bicudo até o talo, perguntou se eu estava a fim de usar droga e tomar uma cerveja. Eu estava trabalhando que nem burro de carga, doze dias seguido sem folga, pensei bem, porque não? Falei para ele esperar, precisava guardar minha mala, ligar para minha namorada e pegar mais dinheiro. Entrei no meu quarto, abri a gaveta, peguei a carteira e uma nota de cinqüenta. Fui na cozinha, ainda tinha café na garrafa, coloquei no copo, desci a escada correndo. Ele estava lá, pegamos seu carro, fomos direto na fonte que nunca para de brotar, seis cápsulas, três pra cada, a quantidade era um absurdo, fiquei assustado, pensando que desta vez iríamos assinar nossa sentença de morte, abrimos uma despejamos tudo, estiquei duas carreiras enormes, a cocaína era boa, parecia que eu tinha corrido um quilometro, comecei a suar frio, meu coração disparou, meus dentes começaram ranger, meu colega já estava incomunicável. Paramos no posto, compramos seis latas de cerveja, ficamos bebendo, ouvindo rádio e as noticias do mundo. Fui no banheiro, aproveitei para mandar outra carreira, bateu forte que nem uma faca afiada, dilacerando um corpo apodrecido. Decidimos dar uma volta pelo centro da cidade, tudo estava fechado apenas bêbados e prostitutas arriscavam-se nanoite fria, vimos uma padaria aberta, estacionamos o carro, descemos e fomos comprar mais cerveja, o dono não quiz vender, prosseguimos e mais a frente tinha um boteco horrível aberto, pegamos oito latas, uma garrafa de vodka, saímos rápido, minha mente não parava de pensar um minuto si quer, despejei mais uma cápsula, mandamos e ainda restavam uma pra cada, com o álcool, meu colega começou falar mais, conversamos sobre política, futebol, mulheres e sobre a condição ridícula do ser humano, colocamos o restante, pensei que teria um treco, comecei a tremer, meu coração disparou na hora, abrimos a garrafa de vodka e mandamos ver no gargalo, passei só a beber, o sujeito queria voltar e pegar mais dois, disse que eu estava tranqüilo, tinha chegado no meu limite, o bom jogador deve saber a hora de parar quando esta ganhando. Eram cinco horas da manha, o dia já estava claro, ninguém nas ruas, apenas dois insanos, rodando de carro e a viatura na nossa cola, quebrei numa rua qualquer e conseguimos dispistalos, não tínhamos nada, apenas uma garrafa de vodka pela metade e um maço de cigarro quase vazio. Sugeri para meu colega que passássemos no morro para pegar um pouco de fumo. Pegamos e fomos até uma praça, longe da civilização, ascendemos um baseado, ficamos contemplando o sol de todos os dias. Voltamos para casa e para dentro de nossas vidinhas tristes, sem grandes novidades.
Alex Barbosa Medeiros
Alex Barbosa Medeiros