quarta-feira, 30 de julho de 2008

Um dia Qualquer

Antes de entrar no serviço vejo um carro parado no estacionamento penso que deve ser de algum dono dessas butiques de grife que vendem produtos superfaturados que exploram pessoas desesperadas com suas contas a pagar. Todos os dias acordo as cinco da manhã, a tortura começa, tomo apenas um café preto, abro a porta, saio de casa para enfrentar as ruas, pego o ônibus lotado, parece mais uma lata de sardinha espremida de humanos, em seguida o trem, seis cabeças por metro quadrado. Chego para trabalhar, agüento oito horas diárias, meu chefe fica uma boa parte desse período falando, às vezes berrando o que tenho e devo fazer, o que é certo ou errado. No final do expediente depois de um dia duro, volto para casa e desço a caminho da estação. Dentro do trem, trabalhadores cansados dormem sem quase respirar, no outro lado do canto superior, jovens esperançosos com seus cadernos debaixo do braço gargalham alto da vida, dos prazeres e dos sonhos. Na outra estação pessoas descem, o trem fica vazio, olhando para fora os carros passam sem me distrair. Observo através do reflexo estampado no vidro grosso da janela, uma mulher gritando, pedindo ajuda, ela segurava uma bola de carne que saia do seu pescoço, parecia uma enorme ferida, ela gritava que estava com tuberculose aguda e que precisava de dinheiro para financiar o tratamento, as pessoas não conseguiam olhar para a pobre mulher. Cheguei em casa, tomei uma ducha preparei um sanduíche, liguei o computador, comecei a escrever o fato.

Um comentário:

Anônimo disse...

foda!!!